Em um município historicamente marcado por lutas sociais e disputas ideológicas, como é o caso de Camaçari, a esquerda local tem se destacado — mas nem sempre pelos melhores motivos. A bandeira da cultura, frequentemente empunhada como símbolo de resistência e inclusão, tem revelado, nos bastidores, uma faceta preocupante: o uso político e ideológico de espaços culturais em detrimento da verdadeira promoção artística e intelectual.
O que se vê, cada vez mais, é a instrumentalização da cultura para fins eleitorais e pessoais. Projetos culturais que deveriam fomentar o pensamento crítico e a valorização da identidade local acabam virando palanque para discursos vazios, ocupados por agentes que, muitas vezes, demonstram pouco ou nenhum conhecimento real sobre arte, educação ou patrimônio.
Artistas locais relatam a dificuldade de acesso a editais, a concentração de recursos em mãos de coletivos ligados a figuras políticas específicas e a ausência de uma política cultural ampla, democrática e técnica. “É como se a cultura tivesse sido sequestrada por um grupo que fala em nome do povo, mas não dialoga com ele”, afirma um produtor cultural que preferiu não se identificar.
Enquanto isso, espaços públicos culturais sofrem com abandono, eventos perdem qualidade e a juventude criativa de Camaçari vê-se afastada de oportunidades por não “jogar o jogo” político-partidário. O resultado é uma cultura de fachada, com muitas bandeiras e palavras de ordem, mas pouca entrega real.
Hoje é 16 de junho de 2025.
Faltam 14 dias para o fim do prazo estabelecido pelo Decreto Federal nº
12.257/2024: 30 de junho. Depois disso, todo recurso não utilizado volta
curiosamente para os cofres da União, pior do que perder o prazo, adivinhem? Quem não usar
agora, perde também o direito aos repasses futuros. É um combo de
irresponsabilidade com miopia política. E o povo da cultura que lute.
Esse fenômeno revela uma contradição: uma esquerda que diz defender o povo, mas que, na prática, fecha portas para o povo que não compartilha de seus dogmas ou alianças. A cultura, que deveria ser plural, crítica e inclusiva, torna-se ferramenta de exclusão e autopromoção.
A Secult teve seis meses para
aplicar os recursos da PNAB, mas preferiu brincar de “faz de conta”. Faz de
conta que tem gestão. Faz de conta que escuta. Faz de conta que entrega. Os
editais nº 001 e nº 002 de 2025 são um festival de barbeiragens — e o edital
multicultural virou tragédia grega encenada em coreografia de dança
contemporânea com verba atrasada.
É urgente devolver a cultura de Camaçari à sua verdadeira função: ser o espelho da diversidade, da criatividade e da liberdade — não um instrumento de vaidades políticas ou monopólio ideológico.
Por: Bruno Albuquerque








0 comments:
Postar um comentário