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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Cannabis tem eficácia em diversos tratamentos, mas enfrenta desafios no Brasil

O alto custo dos produtos e a falta de informação entre profissionais de saúde e pacientes são barreiras a serem superadas

Foto: Pfuderi/ Pixabay

Nos últimos anos, o uso da cannabis medicinal tem sido amplamente discutido por profissionais da saúde, legisladores e pacientes que buscam alternativas terapêuticas eficazes. Estudos científicos e regulamentações governamentais vêm consolidando a legalidade e a segurança dessa utilização, mas ainda é preciso desmitificar alguns tabus.

O médico José Tadeu Tramontini, clínico de dor e acupunturista, é um dos estudiosos da área e prescreve a cannabis medicinal para seus pacientes. Um primeiro ponto explicado por ele é que o organismo do ser humano conta com o sistema endocanabinoide para regular processos fisiológicos, como apetite, estresse, entre outros. 

De acordo com o médico, estudos já apontaram que existem condições em que há menor produção das moléculas do sistema endocanabinoide, a exemplo do Transtorno do Espectro Autista, fibromialgia, síndrome do intestino irritado e a enxaqueca. Dr. José Tadeu reitera que as evidências científicas já indicam o equilíbrio nesse sistema com a utilização da cannabis medicinal. 

“Países como Israel já utilizam como primeira linha de tratamento para o Transtorno do Espectro Autista, por exemplo, e não como tratamento alternativo. As melhoras nos sintomas em diversas condições estão mais que comprovadas. Tenho relatos de pacientes que afirmam que o tratamento via cannabis medicinal salvou a vida de suas famílias”, conta o médico. 

Pesquisas ao redor do mundo demonstram que os canabinoides, substâncias ativas encontradas na cannabis, possuem propriedades terapêuticas promissoras. O canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC) são os compostos mais estudados, apresentando efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e ansiolíticos.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine revelou que pacientes com epilepsia resistente a tratamentos convencionais tiveram redução significativa na frequência de crises convulsivas ao utilizarem CBD. Além disso, pesquisas apontam a eficácia da cannabis medicinal no tratamento de dores crônicas, esclerose múltipla, Parkinson e até mesmo sintomas associados ao câncer, como náuseas e falta de apetite causadas pela quimioterapia.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou o uso da cannabis medicinal por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327/2019. Essa norma permite a importação, fabricação e comercialização de produtos à base de cannabis para fins medicinais, desde que prescritos por um médico.

A Anvisa também flexibilizou a importação individual de produtos à base de cannabis por meio da RDC 660/2022, facilitando o acesso para pacientes que necessitam desses tratamentos. No entanto, a venda ainda é restrita a farmácias autorizadas, e o cultivo da planta para uso medicinal continua proibido.

Dr. José Tadeu Tramontini defende que o debate seja ampliado. Ele reforça que o uso de cannabis deve ser feito por um médico especialista. “Já existem cursos de pós-graduação em medicina canabinoide e é importante reforçar que todo o tratamento deve ser acompanhado pelo médico especialista”, conclui. 

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços científicos e regulatórios, o acesso à cannabis medicinal no Brasil ainda enfrenta desafios. O alto custo dos produtos e a falta de informação entre profissionais de saúde e pacientes são barreiras a serem superadas.

No entanto, o cenário está mudando. A crescente aceitação da cannabis medicinal e a ampliação das pesquisas clínicas tendem a facilitar o acesso e a reduzir os custos, beneficiando milhares de brasileiros que necessitam dessa alternativa terapêutica.

A ciência e a legislação avançam juntas para garantir que a cannabis medicinal seja cada vez mais reconhecida como uma ferramenta legítima para melhorar a qualidade de vida de inúmeros pacientes.

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