Medida inclui apreensão patrimonial até o limite de R$ 6 bilhões
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decretou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de uma das holdings do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Na decisão desta sexta-feira (23), o relator determinou que os dados sejam enviados em 24 horas, prazo que depende da formalização da notificação às autoridades relacionadas.
No mesmo despacho, determinou o cancelamento dos passaportes do investigado, inclusive um diplomático, a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas e o sequestro, o bloqueio e a indisponibilidade dos bens imóveis e móveis até o valor de R$ 6 bilhões.
Moraes também mandou informar sobre os fatos todos os antigos e atuais correntistas dessas empresas.
Willer é alvo da operação Sem Desconto, da Polícia Federal, contra fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). No centro das apurações estão repasses do advogado ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ambos negam as denúncias.
Segundo a PF, uma empresa do advogado comprou a mansão de R$ 6 milhões apontada como residência do senador, e Willer era o "hub financeiro, patrimonial e logístico" do parlamentar.
Em janeiro, o jornal Folha de São Paulo mostrou que um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, disse em depoimento à Polícia Federal que uma filha de Weverton viajou em aeronave do empresário.
Na semana passada, a PF enviou ao STF um pedido de inquérito contra Flávio por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz.
Procurada, a campanha do senador disse que ele não é investigado no Supremo e que os autos que chegaram ao STF ainda não foram convertidos em inquérito, já que não houve manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) nem decisão judicial a respeito.
A PF também investiga Willer e Flávio por suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas com plataformas de apostas e meios de pagamento.
O advogado tinha como preferência em sua atividade nas casas de apostas os jogos online, como cassino e "jogo do tigrinho". Desde a regulamentação do setor, em 2025, ele movimentou um total de R$ 6,3 bilhões, e 99,98% foi nesta categoria.
A revista piauí revelou que o senador e o advogado são sócios indiretos na Best Bet, por meio de empresas fora do país e contas bancárias compartilhadas.
Uma holding do ramo de apostas online de propriedade de Tomaz pagou voos entre Portugal e França em 2025 para Flávio.
Na época, o candidato disse que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade. "Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos", afirmou.
A aproximação com o presidenciável do PL teve início em 2019, quando Willer defendeu o ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, em uma denúncia por uso de candidaturas laranjas.
Na CPI da Covid em 2021, aparece a primeira gravação em que Flávio chama o advogado de amigo. Segundo documentos consolidados pelo jornal Folha de São Paulo, os dois dividem diversos endereços, voos e parceiros comerciais.
Após aparecerem as primeiras suspeitas de uma sociedade indireta entre Willer e Flávio, os dois disseram que os laços entre suas famílias eram apenas de amizade. Negaram também irregularidades.
Willer passou de dono de uma loja de computador em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, em 1999, para um empreendedor em série, com empresas de radiodifusão, escritório especializado em precatórios, mineração, turismo, apostas online e sociedades com senadores, como Dr. Hiran (PP-RR) e Lobão Filho (MDB-MA).








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