Banhistas relatam negociação forçada e falta de transparência nos valores
Por Rayllanna Lima
Com a chegada do verão e o aumento no fluxo de turistas e moradores nas praias de Salvador, o custo para aproveitar um dia à beira-mar tem pesado cada vez mais no bolso. Da alimentação ao aluguel de cadeiras e sombreiros, os preços variam de acordo com a praia, o consumo e até o perfil do cliente, o que tem gerado reclamações sobre cobranças consideradas abusivas e falta de clareza nos valores.
Na praia de Ondina, em frente ao Instituto Bahiano de Reabilitação (IBR), a negociação é quase obrigatória. O kit com sombreiro e duas cadeiras pode sair por R$ 25, mas apenas para quem pechincha bastante. Em outros momentos, o mesmo serviço foi oferecido por R$ 40. Segundo o vendedor Gilson Silva, de 53 anos, o preço depende do consumo. “Se você fosse sentar trazendo suas próprias bebidas, eu iria cobrar no mínimo R$ 50 pelo sombreiro e duas cadeiras. Mas se for consumir comigo, cobro R$ 35”, explicou em conversa com a reportagem.
Ainda em Ondina, alguns alimentos e bebidas aparecem com valores mais acessíveis em comparação a outras praias. Uma porção de acarajé com 12 bolinhos foi encontrada por R$ 15, enquanto outra barraca próxima cobrava R$ 27 por uma porção com 15 unidades. A cerveja long neck varia entre R$ 15 e R$ 18, dependendo do vendedor.
Os preços também surpreendem turistas. Uma visitante de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, contou ter gasto cerca de R$ 600 em uma ida à Barraca do Lôro, em Stella Maris. “Fiquei absolutamente chocada quando a conta deu R$ 600. Só das pessoas na mesa foram mais de R$ 100. Sou evangélica, não bebo, apenas comemos um almoço e tomamos algumas águas de coco. Fiquei realmente surpresa”, relatou.

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
No Porto da Barra, uma das praias mais disputadas da capital, as queixas são frequentes. A estudante Camila Oliveira, de 22 anos, disse ter pago R$ 75 por um kit com sombreiro e três cadeiras. “Quando fechamos, disseram que era R$ 5 por cada cadeira adicional, mas na hora de pagar cobraram R$ 7. Questionei e pedi para manter o valor combinado, mas nada adiantou. Tive que pagar para não passar vergonha”, afirmou.
O turista carioca Sergio Viana, de 37 anos, reclama dos preços e da falta de espaço para estender a canga sem consumir. “A gente acaba sendo obrigado a pagar para utilizar um espaço público”, criticou. Frequentador assíduo da capital baiana, ele compara com a Praia do Buracão, onde afirma já ter pago R$ 10 pelo kit com cadeiras e sombreiros. “Lá ainda encontro uma caipiroska de 500 ml por R$ 30. O acarajé continua em torno de R$ 27, mas a long neck de Heineken, que no Porto da Barra cobram R$ 18, em Buracão em pago R$ 15”, completou.
Para o comerciante Zé Raimundo, os valores variam conforme a demanda. “O preço do kit vai de acordo com o movimento. A cerveja geralmente é tabelada. Dá até para negociar o kit e tirar R$ 5, mas é difícil encontrar uma long neck de Heineken por menos de R$ 18 no Porto da Barra. Aqui em Ondina ainda dá para achar por R$ 15”, disse.
Diante desse cenário, muitos banhistas têm mudado de hábito e optado por levar alimentos e bebidas de casa, tentando reduzir os gastos. Assim foi com Maria Lúcia, de 52 anos, que foi para a Praia de Ondina com a irmã, o filho e a sobrinha. “Investimos em nosso próprio kit de praia, trazemos os brinquedos das crianças, alguns alimentos e o cooler com bastante gelo. Aqui pelo menos encontramos espaço para cutir na praia, algo que tem sido impossível no fim de semana no Porto”, disse. A prática tem se tornado cada vez mais comum em meio à alta estação, transformando o lazer à beira-mar em um exercício de planejamento e atenção redobrada ao bolso.







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