“O complexo de Camaçari é hoje a maior fábrica da BYD fora da China. Estamos falando de uma estrutura industrial que reposiciona a Bahia no cenário automotivo brasileiro”, destacou Alencar
Por Hieros Vasconcelos
Com previsão de investimento total de R$ 5,5 bilhões, capacidade projetada para até 600 mil veículos por ano em plena operação e mais de 2,5 mil empregos já gerados na primeira fase, a fábrica da BYD em Camaçari foi apresentada como um dos maiores projetos industriais em andamento no país durante visita institucional à Tribuna da Bahia, na manhã de ontem.
Executivos da Comunicação da empresa participaram de um encontro com o presidente do jornal, Walter Pinheiro, o vice-presidente Marcelo Sacramento e o diretor de Redação, Paulo Roberto Sampaio, para detalhar o estágio atual da operação e os impactos econômicos no estado.
Segundo Paulo Alencar, gerente de Comunicação da BYD em Camaçari, a presença da empresa na Bahia representa uma transformação estrutural no setor automotivo local. “A BYD não chega apenas com carros elétricos e híbridos. Chega com um novo conceito de mobilidade, com tecnologia, sustentabilidade e, principalmente, geração de emprego e renda para os baianos”, afirmou.
“O complexo de Camaçari é hoje a maior fábrica da BYD fora da China. Estamos falando de uma estrutura industrial que reposiciona a Bahia no cenário automotivo brasileiro”, destacou Alencar.
Um dos pontos mais inovadores apresentados durante o encontro foi o desenvolvimento de um carro híbrido flex, capaz de operar com etanol, gasolina e eletricidade. A tecnologia está sendo desenvolvida por engenheiros e pesquisadores do centro de tecnologia da empresa em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
“Estamos trabalhando em um híbrido flex pensado para o Brasil, integrando etanol e eletrificação. Esse projeto tem participação de pesquisadores baianos e reforça o papel da Bahia como polo de desenvolvimento tecnológico”, explicou Alencar.
A proposta é unir a matriz energética renovável brasileira à eficiência elétrica, ampliando autonomia e reduzindo custos ao consumidor.
Desde outubro de 2025, quando teve início a produção local, já foram fabricadas mais de 30 mil unidades na planta baiana. Nesta primeira etapa, a capacidade produtiva é de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil na segunda fase. Em plena operação, a projeção anunciada pela companhia é alcançar 600 mil veículos anuais.

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Planta industrial da fabrica na Bahia é uma das maiores existentes no país
A planta industrial impressiona pelas dimensões. O galpão de montagem final possui cerca de um quilômetro de extensão por 200 metros de largura. Atualmente, mais de 2,5 mil trabalhadores atuam no complexo, maioria deles baianos e de Camaçari. O número pode chegar a 20 mil empregos diretos e indiretos em plena operação.
“Somos praticamente uma fábrica verde e amarela. A maior parte dos trabalhadores é baiana e estamos fortalecendo fornecedores locais, o que amplia a rotatividade econômica no estado”, afirmou Alencar. Os veículos produzidos em Camaçari — Dolphin Mini, King e Song Pro, com o Song Plus previsto para este ano — são distribuídos para todo o país. Desde abril de 2022, a BYD já emplacou mais de 200 mil veículos eletrificados no Brasil.
Reconhecimento - A visita à Tribuna da Bahia também foi um gesto de reconhecimento ao papel do jornal como veículo relevante na construção do debate público. “A comunicação é estratégica nesse processo. É importante que a sociedade conheça os números, os avanços e os impactos positivos que a indústria pode gerar para o estado”, concluiu Alencar.
Com inovação tecnológica, parceria acadêmica e forte investimento industrial, a fábrica da BYD em Camaçari consolida-se como símbolo de uma nova etapa do desenvolvimento baiano — baseada em mobilidade sustentável, pesquisa local e geração de oportunidades.

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
BYD destaca economia para motoristas e insumo na cadeia produtiva
Durante o encontro, os executivos ressaltaram que a mobilidade elétrica também traz economia direta ao consumidor. Um veículo híbrido pode alcançar autonomia superior a 1.100 quilômetros combinando energia elétrica e combustível. A economia mensal com abastecimento pode chegar a R$ 500, a depender do perfil de uso, se comparado aos carros movidos a combustão.
“Além da economia com combustível, o custo de manutenção é significativamente menor. Revisões que em carros convencionais podem chegar a R$ 6 mil ficam em torno de R$ 500 em modelos elétricos”, pontuou Alencar.
Segundo dados apresentados durante o encontro, o Brasil conta com 16.880 eletropostos, sendo 2.999 no Nordeste. A Bahia possui 640 pontos de recarga, dos quais 257 estão em Salvador. Recente Lei 15.120, aprovada na AL-BA, determina que shoppings centers de porte médio ou superior destinem entre 5% e 10% das vagas para recarga de veículos elétricos e híbridos, com prazo de até um ano para adequação.
Carregadores - Walter Pinheiro destacou a importância de a sociedade se preparar para a nova realidade tecnológica. “É fundamental que o debate avance com base técnica e científica. A instalação de carregadores em condomínios e edifícios exige avaliação elétrica adequada, planejamento e regulação”, afirmou.
Para ele, a imprensa tem papel central nesse processo. “A Tribuna da Bahia entende que discutir inovação, desenvolvimento e sustentabilidade é discutir o futuro do estado. Nosso papel é informar com responsabilidade e abrir espaço para esse debate.”
Marcelo Sacramento defendeu políticas públicas de incentivo para ampliar a infraestrutura de recarga. “Seria importante pensar em estímulos para a instalação de carregadores, especialmente em regiões estratégicas como a Estrada do Coco, onde a demanda cresce e a oferta ainda é limitada”, pontuou.







0 comments:
Postar um comentário