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segunda-feira, 2 de março de 2026

Clínica oftalmológica é interditada após pacientes denunciarem perda de visão

Grupo com ao menos 30 pacientes denunciou a situação. Diante disso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) interditou a Clínica Clivan, localizada na Avenida Anita Garibaldi.

Foto: Divulgação SSP

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador interditou a Clínica Clivan, localizada na Anita Avenida Garibaldi, após ao menos 30 pacientes denunciarem perda de visão e dores após passarem por cirurgia de catarata. Em nota, enviada nesta segunda-feira (2), a SMS detalhou que suspendeu o convênio com a unidade, que também realizava atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista à TV Bahia, pacientes que passaram pelo procedimento no dia 26 de fevereiro relataram que sentem fortes dores no olho. Além disso, não conseguem enxergar e alguns chegaram a ter sangramentos nos olhos operados.

"Cheguei em casa, não dormi direito. O olho está doendo, inchado, saindo lágrima. Foi horrível", conta Iraci, de 64 anos.

A paciente é moradora de Ribeira do Pombal, no interior da Bahia. Conforme relato dos pacientes, um grupo de ao menos 30 pessoas apresentou as mesmas reclamações. O grupo montou uma rede de apoio com outras pessoas prejudicadas e foram encaminhados pela clínica para o Hospital Santa Luzia, no bairro de Nazaré.

Na unidade, eles receberam os primeiros atendimentos, porém muitos ainda não sabem o que causou as dores e quais serão as consequências. Muitos temem a perda total da visão. Elas afirmam que a clínica não prestou esclarecimentos sobre o que teria acontecido ou como os sintomas estão sendo investigados.

"Após o procedimento, tivemos uma [consulta] com um especialista na Clinvan e ele disse: 'tenha calma, estamos batalhando para não acontecer [a perda da visão]'", relata a filha de dona Iraci.

"A gente percebia que os médicos estavam apreensivos e nós também", diz.

 Ainda conforme familiares de pacientes, quatro pessoas já perderam o olho após serem diagnosticadas com uma bactéria no Hospital Geral do Estado (HGE). Essas pessoas também passaram pelo procedimento na clínica e, após apresentarem dor nos olhos e perda de visão, foram orientadas a procurar o HGE.

"A clínica mandou que eles procurassem o HGE, eles não foram encaminhados. Não teve acolhimento pela clínica para saber se eles foram acolhidos ou não. [Lá], eles foram diagnosticados com uma bactéria. O médico deu estado grave e teve que arrancar o olho dos pacientes. Nosso medo é esse com os nossos familiares", relata Iranildes.

A mãe dela também passou pelo procedimento e foi atendida, nesta segunda, no Hospital Santa Luzia. Ela passou por atendimento e ainda aguarda um parecer de um cirurgião, que deve definir os próximos passos diante do estado clínico dela. As duas são da cidade de Acajutiba, localizada a 180 km de Salvador.

"Ela veio do interior, saímos de lá às 3h da manhã. Como a colega citou, todos os medicamentos são caros [e] estamos comprando por conta própria para tentar salvar [a visão dela]. A nossa preocupação maior é a recuperação do nosso paciente", relata.

À TV Bahia, a advogada Eveline Santos, que representa um dos pacientes prejudicados, confirmou que o cliente já perdeu o olho. Ele apresentou os mesmos sintomas dos outros pacientes e, ao chegar no HGE, foi diagnosticado com uma infecção.

"Os médicos fizeram uma intervenção usando antibióticos para controlar a bactéria que foi identificada, mas infelizmente, hoje pela manhã, recebemos a notícia de que ele perdeu a visão de um dos olhos pelo risco da bactéria se espalhar e causar lesão cerebral. Por isso, ele vai passar por uma cirurgia hoje à tarde de remoção do globo ocular e instalação de uma prótese"

Em nota, a SMS detalhou que a Clínica Clivan estava devidamente licenciada junto à vigilância sanitária municipal, com alvará vigente. Entretanto, a pasta tomou as seguintes providências cautelares no âmbito da vigilância sanitária:

  • Suspensão cautelar do alvará sanitário;
  • Interdição temporária dos serviços relacionados aos procedimentos em apuração;
  • Instauração de processo administrativo sanitário para verificação das condições de funcionamento e conformidade com as normas vigentes;
  • Notificação ao Ministério Público e Cremeb para acompanhamento nas esferas cabíveis.

Já o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que realizou uma fiscalização na clínica nesta segunda-feira (2). As eventuais sanções ao empreendimento só serão divulgadas após o resultado da análise.

A clínica de oftalmologia se pronunciou por meio de nota e afirmou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos durante as cirurgias.

"Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada"

Confira a nota na íntegra:

"A Clínica de Oftalmologia esclarece as informações relacionadas a intercorrências registradas no pós-operatório de cirurgias de catarata realizadas na última semana.

Ressaltamos que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico, em conformidade com as normas médicas vigentes.

A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio.

 Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada.

A Clínica de Oftalmologia reafirma sua confiança nos seus profissionais, protocolos e na medicina responsável que sempre pautou sua trajetória."

Fonte: g1

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