O perigo de desabamento é iminente e potencializado por chuvas intensas
Por Hieros Vasconcelos
Mais um casarão histórico tombado pelo Iphan e em condições degradantes tem levado temor e riscos à população em uma área extremamente movimentada da cidade. Com cinco pavimentos e uma fachada colonial bem trabalhada, o prédio número 01 localizado entre a rua Conselheiro Dantas e a Rua Pinto Martins, no Comércio, abrigou por anos a loja A Lâmpada. Hoje em dia, a construção assusta transeuntes por conta de fissuras agravadas, exposição de ferragens e desprendimento de elementos da fachada.
Sem escoramento, o perigo de desabamento é iminente e potencializado por chuvas intensas. O laudo mais recente da Coordenadoria de Defesa Civil de Salvador (Codesal) classificou o imóvel como de alto risco estrutural. A expectativa é que uma demolição parcial aconteça o mais breve possível, após vistoria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) em conjunto com o Iphan e a Codesal.
“Basta olhar para o terraço para ver as vigas enferrujadas e o concreto rachado. A gente vive com medo por aqui. Tem gente que nem passa pela rua. O risco é tão grande que tiraram o ponto de ônibus de frente do prédio”, comentou o vendedor de acessórios para celulares, Elder de Souza.
Apesar da Defesa Civil ter colocado, há aproximadamente um mês, uma cerca metálica em volta do edifício acreditando evitar tragédias, os trabalhadores e lojistas do entorno afirmam que nada adiantou. Nilson Santos, dono da loja de roupas Aggle, localizada na mesma rua do casarão, chamou a ‘proteção’ de ‘armengue’.

Foto: Romildo de Jesus
“Isso aí que a prefeitura fez não vai proteger em nada. É um armengue. Se o prédio cair, vai ser pedaço de concreto para todo lado, atingindo carros e pessoas de qualquer modo. Esse cercado só serviu para tornar o lugar convívio de ladrão, pois eles se escondem aí dentro, ninguém os vê. Semana passada, a rua quase toda ficou sem energia porque roubaram fiação ao lado do prédio”, contou. “Muita gente tem medo de passar por aqui cedo pela manhã por causa do prédio e por causa dos ladrões", acrescentou.
Procurada, a Codesal confirmou, por meio de nota, que o casarão de cinco pavimentos foi vistoriado em setembro de 2024 e que, na ocasião, encontrou fissuras e risco iminente de desabamento podendo atingir transeuntes na região, pertencente ao perímetro urbano tombado pelo Iphan e denominado de Conjunto Urbano e Arquitetônico da Cidade Baixa de Salvador.
O órgão informou ter encaminhado o pedido de demolição parcial do imóvel à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur). “Encaminhamento para demolição parcial do imóvel em partes que apresentem risco iminente, após autorização do órgão tombador, do Iphan. O proprietário foi notificado pela Codesal sobre os riscos, indicando a contratação de profissional habilitado no CREA/CAU para avaliação e recuperação/restauração de bens tombado”, disse o texto.
Sobre a cerca de aluminío, a coordenadoria disse ser uma "medida preventiva para mitigar riscos". "E interditado o tráfego em metade da pista da rua Pinto Martins em direção à Ladeira da Montanha”.
Já a Sedur informou que irá realizar uma nova avaliação no imóvel em conjunto com a Codesal e com o Iphan para programar a demolição das partes indicadas pelo autarquia do governo federal. A reportagem não conseguiu contato com o Iphan até o fechamento desta edição.
Luz e ratos - O porteiro de um edifício, que preferiu não se identificar, acrescentou que a falta de energia na rua, no mês passado, foi por conta do roubo de fios de uma caixa da Coelba, localizada na parte de trás do casarão histórico, no beco da Rua Conselheiro Saraiva. “A Coelba veio e cimentou a caixa. Mas não vai adiantar muito, pois chega a madrugada eles voltam e quebram o cimento novamente”, relatou. Ele acrescentou a infestação de ratos dentro do casarão. “Os ratos se espalham por vários prédios”, pontuou.







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