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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A Black Friday promete aquecer a economia, mas é preciso atentar a "Black Fraude"

Mesmo nesse cenário favorável ao consumo, a engrenagem da chamada “Black Fraude” opera no silêncio das semanas anteriores ao evento

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Por Hieros Vasconcelos 
 
A Black Friday, pensada para ser o grande momento de descontos do varejo, virou no Brasil um evento de duas faces. De um lado, move bilhões e anima o comércio; de outro, carrega a sombra cada vez mais presente da chamada “Black Fraude”, que expõe o consumidor a manipulação de preços, golpes virtuais e ofertas que não são o que parecem. É essa convivência entre expectativa e desconfiança que acaba marcando novembro. Como diz o advogado e professor especialista em Direito do Consumidor Filipe Vieira, ouvido pela Tribuna da Bahia, “as duas palavras de ordem para o consumidor que quer aproveitar as verdadeiras promoções no período da Black Friday são planejar e pesquisar”.
 
Na Bahia, a Fecomércio-BA estima que o varejo deva movimentar algo em torno de R$ 16 bilhões no mês, impulsionado pela inflação em queda, pelo mercado de trabalho mais aquecido e pela primeira parcela do 13º. “O bom momento da economia deve elevar as vendas em todas as atividades do comércio, com destaque para móveis, decoração e perfumaria”, avalia o consultor econômico da entidade Guilherme Dietze. Para o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, o consumidor chega a novembro mais atento. 
 
“O mercado está aquecido e há demanda reprimida, mas o cliente hoje pesquisa mais, compara mais e sabe identificar quando a oferta é real”, disse em nota da entidade. 
 
O professor Felipe reforça esse comportamento, mas ressalta que planejamento é essencial para não cair em golpe. “Planejar exatamente aquilo que se deseja comprar e pesquisar o histórico de preços é a única forma de saber se a promoção existe de verdade ou se é melhor esperar outra data”.
 
Mesmo nesse cenário favorável ao consumo, a engrenagem da chamada “Black Fraude” opera no silêncio das semanas anteriores ao evento. Segundo especialistas e atônitos nos preços, a prática de algumas lojas segue sendo a alta de preços antes das promoções, criando um falso desconto.
 
 Truques - Celulares, eletrodomésticos e itens de informática sobem em outubro e no início de novembro, voltam ao valor original só na semana da Black Friday. Para quem não acompanha, a sensação de economia é enganosa. “É o famoso ‘metade do dobro’. O anúncio aparece com 40% ou 50% de desconto, mas o preço normal já havia sido inflado antes”, comenta a artista visual Andressa Santalucia, que fazia pesquisas de preços de geladeiras ontem no Shopping Salvador. 
 
O especialista confirma a frequência do truque. “O que leva muita gente a encarar esse período promocional como black fraud decorre do excesso de publicidade e de campanhas que, quando a gente vai ver, não existem de verdade. É a famosa promoção que induz o consumidor ao erro”.
 
Segundo ele, os consumidores mais vulneráveis continuam sendo aqueles que entram na Black Friday sem preparação, especialmente pessoas de baixa renda e baixa escolaridade, já que, como ele afirma, “as principais vítimas são aqueles consumidores desavisados ou então as pessoas de baixa renda e baixa escolaridade, cuja compreensão costuma ser mais dificultosa”. O avanço do comércio digital intensificou esse cenário e abriu espaço para golpes mais sofisticados, porque, nas palavras dele, “com maior movimentação e dado o anonimato das redes, a quantidade de pessoas que viu a oportunidade de aplicar golpes lamentavelmente aumentou”. 
 
Golpes virtuais se profissionalizam e criam páginas semelhantes às originais
 
O problema também está no ambiente virtual e cresce cada vez mais Empresas de segurança digital registram todos os anos picos de golpes nas semanas da Black Friday: sites falsos, perfis que imitam lojas conhecidas, anúncios “imperdíveis” que levam a links suspeitos e vendedores que aceitam apenas pagamento imediato. 
 
Com o alto volume de procura, criminosos intensificam golpes que simulam páginas reais, profissionalizando a prática. Para Filipe Vieira, a resposta precisa começar antes da compra, na base da informação, pois “a informação é a principal arma a favor do consumidor”. A orientação é de campanha dos órgãos de proteção em defesa do consumidor ou seja através dos sites oficiais de cada uma das lojas indicando, recomendando e criando selos de segurança pra dar ao consumidor a tranquilidade de comprar em um ambiente seguro, ainda que sendo um ambiente virtual. No fim, alerta o especialista, o consumidor precisa entrar na data sabendo que o desconto pode ser real, mas o risco também é.
 
“Diferente das lojas físicas, o site tanto surge quanto desaparece de uma hora para outra. Muitos fraudadores criam páginas quase idênticas às originais, às vezes duplicando apenas uma letra do nome. O consumidor precisa verificar o endereço do site, o cadeado de segurança, o CNPJ e até ligar para confirmar o canal de contato”, diz Filipe. 
 
 Órgãos de defesa do consumidor e plataformas de reclamações registram um salto nas queixas nesse período, especialmente por divergência de preços, atrasos, produtos diferentes do anunciado e sites que somem depois do pagamento. Para muitos, a frustração vai além do prejuízo. “Eu pesquisei um liquidificador por três semanas. No dia da Black Friday, o ‘desconto’ era exatamente o preço que eu já tinha visto antes”, conta a consumidora Roseane Santos, 38 anos, que acabou desistindo da compra.
 
Dica é acompanhar preços com antecedência, pesquisar valores antigos e desconfiar de ofertas baixas demais 
 
Para o advogado e professor especialista em Direito do Consumidor, Filipe Vieira, é comum aparecer atraso na entrega, produto fora do estoque, brinde prometido que não vem ou desconto que deveria ser aplicado e não foi. “Às vezes, o custo de garantia estendida já está embutido no preço”.
 
Diante desse ambiente, as orientações práticas ganham ainda mais peso. Especialistas e órgãos de defesa do consumidor reforçam que vale seguir alguns cuidados básicos: acompanhar preços com antecedência, usar comparadores confiáveis, checar CNPJ, reputação da loja e desconfiar de ofertas muito abaixo da média. “A informação é a maior proteção do consumidor. Quanto mais ele pesquisa, menor é o impacto da Black Fraude”, explica a supervisora de fiscalização de um Procon estadual.
Felipe chama atenção evitar comprar por whatsapps. “Evite comprar por WhatsApp ou perfis que só recebem por transferência. Com um clique, o fraudador te bloqueia e o dinheiro some. É muito difícil recuperar”. Para ele e demais especialistas, no fim das contas, o consumidor busca não só pagar menos, mas comprar com segurança.
 
 
Setores como móveis, decoração, farmácias e perfumarias lideram crescimento
 
 
Apesar do que aponta a defesa do consumidor, o cenário continua positivo pro comércio e para a população em geral que vê no movimento uma oportunidade de reformas, compras para melhorar a qualidade e de começar o ano com a casa nova por exemplo. Além obviamente do Natal. 
 
Segundo o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, o varejo entra novembro impulsionado por um cenário econômico mais favorável, com emprego, renda e crédito em alta, o que deve render um movimento forte no mês da Black Friday, já que, como ele ressalta, “o bom momento da economia deve elevar as vendas em todas as atividades do comércio”. 
 
Em nota, ele aponta que setores como móveis, decoração, farmácias e perfumarias devem liderar o crescimento, acompanhando o apetite das famílias para consumir. Já o consultor econômico Guilherme Dietze destaca o papel dos eletrodomésticos e eletrônicos, lembrando que “são os consumidores buscando um celular novo, um televisor de um modelo mais recente ou algum aparelho que necessite para o domicílio”, área que deve avançar cerca de 10% no ano. 
 
Dietze também chama atenção para o peso do e-commerce, onde os smartphones continuam liderando as compras, e reforça que, mesmo com a Black Friday espalhada pelo mês inteiro, o comportamento brasileiro se consolidou assim porque, historicamente, “o recebimento do salário até o dia 5 poderia prejudicar as vendas se as promoções ficassem reservadas somente para o final do mês”.

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