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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Cuidado com os perigos dos enfeites elétricos no Natal

Dados divulgados pela Abracopel no Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2025 mostram que o Brasil registrou 759 mortes em 2024 por causas relacionadas à eletricidade, um aumento de 12,6%

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

Por Hieros Vasconcelos

Com a proximidade do Natal, as ruas começam a ganhar luzes, laços, árvores, guirlandas e cascatas iluminadas que transformam fachadas e sacadas em pequenas vitrines festivas. Mas, junto com o clima de celebração, cresce também um risco silencioso que se repete ano após ano e provoca mortes, incêndios, curto-circuitos e internações hospitalares: acidentes elétricos provocados por instalações improvisadas.

Dados divulgados pela Abracopel no Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2025 mostram que o Brasil registrou 759 mortes em 2024 por causas relacionadas à eletricidade, um aumento de 12,6%. A Bahia segue a tendência nacional e aparece entre os estados com maior número de ocorrências envolvendo choques elétricos e incêndios provocados pela rede doméstica, especialmente em bairros populares onde a gambiarra ainda é vista como solução rápida para iluminar casas e varandas.

Segundo o levantamento, o país teve 2.354 acidentes elétricos no ano passado, dos quais 1.077 por choque, com 759 mortes. O estado aparece no recorte regional como um dos que mais registraram acidentes fatais no Nordeste, principalmente em ambientes residenciais, chegando a 79 mortes em 2024. Na Bahia, técnicos da Coelba apontam que a maior parte das ocorrências está ligada ao uso de extensões improvisadas, ligações sem isolamento, sobrecarga de tomadas e equipamentos sem certificação do Inmetro.

Quando o período natalino chega, esse problema se agrava porque as famílias tendem a instalar vários conjuntos de pisca-pisca, mangueiras luminosas e enfeites eletrificados em uma mesma tomada ou adaptador, muitas vezes reaproveitando fios antigos guardados desde o ano anterior.

“A população precisa entender que energia elétrica não combina com improviso. O mais importante é instalar apenas produtos certificados e seguir as orientações de segurança”, alerta a Abracopel, que reforça que um simples encosto de mão em um fio mal isolado pode ser suficiente para provocar queimaduras graves ou até mesmo uma parada cardiorrespiratória.

Os dados do ano anterior reforçam esse alerta. Na Bahia, o Corpo de Bombeiros registrou um aumento expressivo nas ocorrências relacionadas a curto-circuito, especialmente no mês de dezembro, quando a rede é mais exigida. A Coelba também confirma que esse período concentra chamados emergenciais para desligamento de energia em ruas decoradas de forma irregular. Em 2024, a empresa registrou dezenas de ocorrências envolvendo acidentes com enfeites natalinos, desde pequenos princípios de incêndio em árvores de plástico até choques que resultaram em hospitalização.

Para entender melhor os riscos por trás desses acidentes, o engenheiro eletricista Paulo Menezes, especialista em segurança de instalações, explica que a maioria das pessoas não percebe que o pisca-pisca é um equipamento elétrico completo e, portanto, tem capacidade de gerar calor, sobrecarregar a rede e até iniciar um incêndio silencioso.

“O problema não é o enfeite em si, mas a forma como ele é instalado. Muita gente usa adaptadores antigos, liga tudo em uma única tomada ou monta redes provisórias com fios amarrados e fita isolante. Isso é extremamente perigoso”, afirma. Segundo ele, os equipamentos mais baratos e sem selo do Inmetro costumam ter fios finos demais, isolação frágil e fontes internas que não suportam longos períodos de funcionamento.

A Abracopel reforça que o selo do Inmetro não é apenas um requisito burocrático. Ele garante que o pisca-pisca passou por testes mínimos de resistência, aquecimento e isolamento, reduzindo as chances de acidentes. “No final do ano, as pessoas querem economizar, mas é importante lembrar que um enfeite muito barato pode sair caro se provocar um incêndio”, diz a entidade. A Coelba complementa que, além de comprar produtos certificados, é fundamental instalar as decorações longe de calhas metálicas, grades e superfícies que possam conduzir eletricidade, principalmente quando expostas à chuva.

Casos como o de Ana Lúcia, moradora de Cajazeiras, ilustram o problema. No ano passado, enquanto montava a árvore com os filhos, ela sentiu um choque forte ao conectar o pisca-pisca antigo comprado em uma barraca. “Na hora, meu braço formigou e eu larguei tudo. Fiquei tremendo. A tomada cheirou a queimado e percebi que poderia ter sido muito pior”, relembra. Histórias assim se repetem em toda a cidade, especialmente em bairros carentes, onde o preço acaba sendo o principal critério na hora de escolher os enfeites.

Além do risco para quem instala, há o perigo para vizinhos e transeuntes. Fachadas cheias de fios expostos podem encostar em portas metálicas, portões ou janelas. Há também registros de acidentes envolvendo crianças que puxam enfeites ligados à tomada e sofrem descargas elétricas graves. Em condomínios, quando um único morador faz ligações improvisadas na área comum, o risco se estende para todos.

As orientações das autoridades são claras: antes de decorar, é preciso verificar o estado das instalações internas da casa, evitar sobrecarga de tomadas e inspeccionar fios antigos que podem estar ressecados ou quebradiços. Para ambientes externos, o ideal é usar apenas produtos específicos para áreas abertas, que têm proteção contra chuva e sol. Se a ligação exigir mais de um conjunto de lâmpadas, o recomendado é distribuir a carga em diferentes tomadas, nunca usando benjamins em cadeia.

Dicas

Para orientar a população, as entidades reúnem os principais cuidados para evitar acidentes durante a montagem da decoração natalina.

Compre apenas pisca-pisca e enfeites com selo do Inmetro. Equipamentos sem certificação têm risco elevado de curto-circuito; Não use extensões improvisadas, fios desencapados ou emendados com fita isolante. O ideal é que toda instalação seja feita com cabos novos e de boa qualidade.

Evite sobrecarregar tomadas. Se precisar ligar vários equipamentos, distribua a carga em diferentes pontos da casa. Desligue os enfeites ao sair de casa ou antes de dormir. Pisca-pisca funcionando horas seguidas aumenta a chance de aquecimento.

Mantenha fios longe de cortinas, papéis, móveis estofados e objetos inflamáveis; se os enfeites forem usados na área externa, escolha modelos próprios para intempéries.

Nunca conecte enfeites à rede pública ou ao padrão de energia. Apenas profissionais autorizados podem manusear estruturas externas; Em caso de cheiro de queimado, calor, faisca ou choque, desligue tudo imediatamente.

Verifique se crianças pequenas têm acesso aos fios. Organize cabos para evitar puxões acidentais; antes de guardar os enfeites ao fim das festas, deixe os fios secarem bem e descarte qualquer item danificado.

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