O recuo no desempenho industrial foi um dos principais fatores que puxaram os números para baixo
Por Rayllanna Lima
Mesmo com o embarque de mais produtos para o exterior, a Bahia viu seu faturamento com exportações encolher. O desempenho externo do estado no primeiro semestre de 2025 reflete um cenário de contrastes: enquanto o agronegócio avançou, a indústria recuou. Em um mundo onde as commodities ditam as regras, o volume exportado cresceu, mas a receita minguou.
Apesar do aumento de 3,7% no volume de produtos exportados, a Bahia viu a receita com vendas externas cair 1,4% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda no valor comercializado, que totalizou US$ 5,3 bilhões, reflete a retração nos preços das principais commodities exportadas pelo estado, com exceção do café e dos derivados de cacau. Com os resultados mensais oscilando bastante, junho fechou com vendas ao exterior de US$ 800,9 milhões, uma queda de 21%. As maiores reduções ocorreram nos segmentos de derivados de petróleo (-89%), químicos (-12,6%) papel e celulose (-11,5%), e derivados de cacau (-25,3%).
Os dados são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo o levantamento, os preços internacionais dos principais produtos da pauta baiana registraram queda média de 4,9%, o que compensou negativamente o maior volume embarcado. A nota técnica emitida pela SEI indica que o aumento no volume exportado não foi suficiente para conter a queda na receita, devido à desvalorização dos principais produtos da pauta externa baiana.
Indústria em retração, agro em expansão
O recuo no desempenho industrial foi um dos principais fatores que puxaram os números para baixo. As exportações do setor caíram 11,8%, com destaque para a redução no refino de petróleo (-24,8%), produtos químicos (-26,3%), papel e celulose (-3,4%) e metalurgia (-2,2%). Em contraste, o setor agropecuário teve crescimento expressivo de 10,3%, sustentado pela valorização de produtos como algodão, café e cacau. A indústria extrativa também registrou avanço de 7,8%, impulsionada principalmente pela alta do ouro no mercado internacional.
De acordo com a nota técnica da SEI: “As exportações baianas para China, principal destino dos produtos baianos com uma participação no semestre de 23,6%, caíram 7,7% no semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo do enfraquecimento dos preços. O volume embarcado para o país, por sua vez subiu 4,4%. Na mesma base de comparação, as vendas para os EUA também caíram 1,2%, mantendo o déficit para o estado em US$ 774,5 milhões no período. A desaceleração de exportação aos EUA pode ser resultado de uma demanda menor ou aumento de preço decorrente da política tarifária. Para a América do Sul as exportações baianas tiveram alta de 24,7%, com destaque para o aumento das vendas para a Argentina em 20%, motivado pela valorização do cacau, e incremento das vendas de pneumáticos e óleo diesel.”







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