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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Intervenção de Trump reduz chance de pena menor para Bolsonaro

Quando foi interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, no mês passado, Bolsonaro adotou um tom mais ameno nas respostas

Foto: Gustavo Moreno/STF

A nova frente de investigação aberta contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pela suspeita de atuação para levar os Estados Unidos a pressionarem o Supremo Tribunal Federal (STF) pela anistia, agravou sua situação jurídica na ação penal da trama golpista. Ministros da Corte, investigadores e juristas avaliam que os novos fatos dificultam a defesa do ex-chefe do Executivo no julgamento, que deve ocorrer até setembro, além de ampliar a lista de acusações contra ele em outra seara.

Bolsonaro e a sua defesa ainda nutriam a esperança de que poderiam conseguir uma pena mais branda, ou pelo menos um voto divergente na Primeira Turma, mas a avaliação é de que essas chances diminuíram com os novos fatos de anteontem, quando o ex-presidente foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), teve que botar tornozeleira eletrônica e precisará cumprir medidas cautelares.

Quando foi interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, no mês passado, Bolsonaro adotou um tom mais ameno nas respostas. Na época, aliados vinham ventilando a possibilidade de que ele pudesse receber uma pena menor do que a máxima, que pode chegar a até 43 anos.

Para uma ala do STF, essa hipótese ficou mais difícil devido às novas revelações, embora não se descarte a imposição de prisão domiciliar por razões humanitárias, já que Bolsonaro tem 70 anos e problemas de saúde que o fizeram passar por mais uma cirurgia há três meses. Para esses ministros, ouvidos de forma reservada, a investigação trouxe novos elementos de que o ex-presidente atuou para obstruir a Justiça e colocar em xeque o processo em curso na Corte.

Investigadores da PF, por sua vez, avaliam que o material apreendido na sexta-feira — o celular de Bolsonaro e um pen drive encontrado no banheiro, além de US$ 14 mil — podem reforçar as investigações em curso e abrir outros caminhos. Esta foi a quarta vez que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente.

Além dos cinco crimes pelos quais já responde na ação da trama golpista, inclusive golpe de Estado, Bolsonaro passou a ser alvo agora por obstrução de Justiça, atentado à soberania e coação no curso do processo. Na decisão em que autorizou a operação de sexta, Moraes entendeu como “expressos atos executórios e flagrantes confissões” a articulação do clã Bolsonaro para que os Estados Unidos aplicassem sanções no Brasil, caso o processo dele não fosse arquivado.

Parte dessas sanções pretendidas teria se concretizado no tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou que o julgamento de Bolsonaro deveria ser interrompido “imediatamente”. Após o comunicado do aliado americano, Bolsonaro e um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), passaram ainda a defender publicamente que a retaliação poderia cessar se fosse aprovada uma anistia em favor dele e dos condenados do 8 de janeiro.

Para membros da PF, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e ministros do Supremo, isso foi interpretado como uma colaboração dos dois em uma tentativa de intervenção indevida de um país estrangeiro sobre um processo legítimo conduzido pela Justiça brasileira.

“Fica a mensagem para os julgadores que ele (Bolsonaro) já está reagindo antecipadamente a uma futura condenação. Eles pensam: “Já está até mobilizando o governo dos EUA”. Isso reforça nos julgadores o convencimento de que aquela pessoa é culpada”, avalia o advogado Thiago Bottino, professor da FGV Direito Rio.

A opinião é compartilhada pelo advogado Alexandre Wunderlich, professor de Direito Penal no IFP: “As provas já estão produzidas (no processo da trama golpista), mas, no contexto, é um adicional importante que impacta na conduta que está sendo julgada pelo STF”.

Já o advogado Gustavo Sampaio, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que os atos que agora estão sendo investigados podem, caso sejam aprofundados, abrir novo processo contra Bolsonaro: “Esses fatos novos podem deflagrar uma nova ação penal para apurar os crimes apontados pela PF, como coação e atentado à soberania nacional”. 

Por Eduardo Gonçalves e Mariana Muniz/Agência O Globo 

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