Em situação de rua e usuário de drogas, o preso já estava sendo investigado pela Polícia Civil por ser considerado suspeito do triplo homicídio
Por Livia Veiga
Após a identificação de três suspeitos dos assassinatos das professoras Maria Helena do Nascimento Bastos, Alexsandra Oliveira Suzart e da jovem Mariana Bastos da Silva, a polícia anunciou, nesta segunda-feira (25), a prisão de um dos acusados do crime. De acordo com a Polícia Civil, se trata de um homem de 23 anos, que foi preso em flagrante por tráfico de drogas no último domingo (24), no bairro Pontal, e que confessou envolvimento em quatro homicídios em Ilhéus, dentre eles, o triplo assassinato que ganhou repercussão nacional. Apesar da prisão em flagrante do acusado, como explicou o delegado Jorge Figueiredo, a motivação das três mortes ocorridas no dia 16 ainda não está definida. “A principal linha de investigação aponta para uma tentativa de roubo que culminou em latrocínio. É fundamental que a sociedade saiba que uma confissão não encerra o caso. Nosso compromisso com a verdade é absoluto”, afirmou.
Ainda de acordo com Figueiredo, as investigações prosseguem com rigor máximo para confirmar, por meio de farto material probatório, cada detalhe da ação criminosa. “Estamos trabalhando para identificar se há outros envolvidos. Nenhum ponto ficará sem o devido esclarecimento. Agradecemos a confiança e o apoio da população. A sua colaboração é essencial e pode ser feita de forma totalmente anônima e segura através do Disque Denúncia 181”, completou o delegado.
Em situação de rua e usuário de drogas, o preso já estava sendo investigado pela Polícia Civil por ser considerado suspeito do triplo homicídio, pois se enquadra no perfil indicado desde o início: “andarilho, viciado em entorpecentes e suspeito de roubo, furto e tráfico”. Em nota, a polícia informou que, durante o depoimento, ele assumiu a autoria do triplo homicídio e relatou à polícia que golpeou as vítimas durante uma tentativa de roubo.
“Outras diligências investigativas estão sendo realizadas para esclarecer a participação do suspeito no crime, que, apesar de fornecer detalhes da ação, entrou em contradição em alguns pontos do interrogatório”, destaca a corporação. Além das três mortes das mulheres, o homem também é suspeito do assassinato do companheiro, Lucas dos Santos Nascimento, que morreu no dia 21, após dar entrada em um hospital da cidade com sinais de politraumatismo, depois de uma briga com o parceiro.
A polícia informou ainda que, durante diligências para apurar o homicídio, o suspeito foi flagrado com pedras de crack. O homem, que confessou o crime na delegacia e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, tem passagens pelos crimes de dano, ameaça, furto, vias de fato, lesão corporal e violência doméstica, praticados desde a adolescência. “Ele já passou por audiência de custódia e teve o flagrante por tráfico de drogas convertido. A prisão preventiva pelo homicídio de Lucas foi cumprida e seguimos com as investigações para coletar mais elementos que possam robustecer o inquérito”, explicou o delegado Helder Carvalhal, que está conduzindo as investigações sobre o caso.
Investigações e comoção popular Segundo a polícia, após a prisão de um dos suspeitos, as investigações continuam, com a análise de imagens de câmeras de segurança da região e laudos periciais, incluindo necropsia, exame de DNA, confronto de digitais e análise de lesões corporais. “Mais de uma dezena de depoimentos já foi colhida, e imagens de 15 câmeras de segurança da região foram analisadas”, afirma a Polícia Civil, que ressalta que equipes estão trabalhando continuamente para elucidar o caso.
O caso tem gerado comoção popular, não só no Sul da Bahia, mas em todo país. Em Ilhéus, a população foi às ruas do centro da cidade, clamando justiça pela morte das servidoras públicas, Alexsandra Oliveira Suzart, 45 anos, e Maria Helena do Nascimento Bastos, 41 anos, e da filha dela, Mariana Bastos da Silva, 20 anos, que desapareceram na última sexta-feira (15), após passeio na Praia dos Milionários. Segundo colegas de profissão, as vítimas eram professoras da rede municipal de ensino e atuavam com crianças atípicas. Segundo a polícia, os corpos das mulheres foram encontrados em um matagal na Praia do Sul, na tarde de sábado (16), com ferimentos provocados por arma branca e sem sinais de violência sexual. O cachorro de uma das vítimas foi encontrado vivo, preso a uma árvore, ao lado dos corpos.







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