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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Pátio Ordem Terceira é criado e aposta em eventos para preservar patrimônio

A novidade foi apresentada ao presidente do Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro, durante visita ao jornal, na manhã de ontem

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

Por Hieros Vasconcelos

Diante das dificuldades estruturais, financeiras e políticas que desafiam a preservação do patrimônio histórico em Salvador, a Ordem Terceira de São Francisco inaugurou um novo espaço que busca aliar beleza, memória e cultura à sustentabilidade econômica do conjunto franciscano: o Pátio Ordem Terceira. 

Situado no complexo da Igreja e Museu da Ordem Terceira de São Francisco, um dos maiores tesouros do barroco brasileiro, o Pátio surge como uma proposta inovadora para abrigar casamentos, eventos corporativos, celebrações culturais, produções audiovisuais e outras atividades. Tudo isso em um ambiente de valor histórico e artístico reconhecido pelo IPHAN e listado entre as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

A novidade foi apresentada ao presidente do Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro, durante visita ao jornal, na manhã de ontem, pelos dois diretores, André Torres e Márcio Pedreira, e pelo presidente da Ordem Terceira, Jayme Baleeiro. O encontro serviu também para abordar outros temas trazidos pela iniciativa, como a dificuldade de angariar recursos, os desafios da preservação do patrimônio e os entraves burocráticos enfrentados nos processos que tramitam junto a órgãos como Iphan e Ipac.

Segundo os representantes, o projeto, fruto da parceria com a Ordem Primeira de São Francisco, surge como uma alternativa concreta diante da escassez de apoio público e da morosidade estatal. “Não estamos falando apenas de um espaço para eventos. O Pátio Ordem Terceira é, sobretudo, uma forma de ajudar na sobrevivência de um patrimônio de mais de 300 anos que, sem iniciativas próprias, corre riscos diante da falta de apoio e da morosidade estatal”, explicou Jayme Baleeiro.

Na visão de Baleeiro, mais do que um bosque ou espaço de convivência, o Pátio simboliza a tentativa de encontrar, na criatividade e na sociedade civil, soluções para um problema estrutural: a incapacidade histórica do Estado em preservar de forma contínua e eficiente o patrimônio cultural brasileiro.

Inaugurado de maneira simbólica com uma festa de samba, o espaço também pode receber casamentos, aliando elegância, beleza e memória – características abundantes no local, assim como já havia proposto a Pupileira. A ideia surgiu da  necessidade de gerar receitas que aliviem a pressão sobre uma instituição que precisa manter um conjunto arquitetônico monumental, com custos diários elevados.

“A bilheteria de R$ 10 que cobramos dos visitantes não cobre sequer a manutenção básica, os funcionários e os gastos. É difícil explicar que um ingresso simbólico não mantém um prédio de 300 anos. O Pátio chega para diversificar as fontes de receita, sem transformar a Ordem em um centro de eventos qualquer, mas como espaço de memória, cultura e resistência”, afirmou Márcio Pedreira, diretor-financeiro.

Riqueza - A Ordem Terceira de São Francisco, fundada no final do século XVI em Salvador, é uma instituição leiga que acompanha e apoia a Ordem Primeira, composta por frades franciscanos, e a Ordem Segunda, formada por religiosas. Enquanto a Primeira se dedica à vida conventual e à missão evangelizadora, e a Segunda concentra-se em atividades religiosas e de caridade, a Terceira reúne fiéis leigos que participam ativamente da vida da Igreja, organizando celebrações, mantendo templos e promovendo ações culturais e sociais. 

Juntas, as três ordens compõem o conjunto franciscano, responsável por preservar um dos maiores patrimônios artísticos e históricos do Brasil colonial: dentre eles a Igreja de São Francisco: templo barroco integrado ao Centro Histórico de Salvador - Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO -  que impressiona pelos entalhes dourados e imagens sacras. No claustro inferior, 37 painéis de azulejos portugueses, produzidos entre 1746 e 1748, retratam cenas da mitologia greco-romana e são considerados um dos conjuntos mais importantes de azulejaria do século XVIII no país. 

 

O presidente do Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro, destacou a necessidade de buscar soluções que ultrapassem a dependência exclusiva dos cofres públicos, que demonstra ineficiência, e envolvam a sociedade.  “O Brasil precisa superar as dificuldades para preservar, fazer obras e reformar seu patrimônio”, afirmou. Ele também  criticou as burocracias impostas. “É preciso pensar em saídas, no caso da Igreja Católica, até mesmo na criação de um canal de TV e que mostre ao mundo a riqueza e a valiosidade, que peça apoio da sociedade, dos fiéis”.

A sugestão de Pinheiro aponta para um horizonte em que preservação, comunicação e educação se conectam, aproximando o patrimônio das novas gerações. Experiências internacionais, como em Portugal, Espanha e Itália, mostram que fundações privadas, fundos permanentes de doações e parcerias acadêmicas podem assegurar a manutenção de igrejas e conventos históricos.

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