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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Diretor alvo de atentado é exonerado do Conjunto Penal de Eunápolis

Jorge Magno Alves deixou comando da função e Fabrizio Gama e Narici foi nomeado para assumir seu lugar. Decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (28).

Foto: Divulgação/Internet

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) exonerou Jorge Magno Alves do cargo de diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, localizado no extremo sul da Bahia. Fabrizio Gama e Narici foi nomeado para assumir a vaga. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (28).

A publicação nomeia ainda Sergio Vinicius Tanure dos Santos como diretor-adjunto do presídio. Jefferson Oliveira Perfentino da Cruz foi exonerado da função.

Em 21 maio deste ano, Jorge Magno foi o alvo de um atentado que aconteceu nas proximidades da unidade prisional. Na ocasião, um motorista terceirizado ficou gravemente ferido e o ex-diretor não estava no veículo e não teve ferimentos.

Jorge Magno assumiu a gestão do complexo penal após a fuga de 16 detentos, que aconteceu em 2024, quando a então Joneuma Neres deixou o cargo. Ela é investigada por ter facilitado a ação dos internos e ter envolvimento com facções criminosas.

Joneuma Silva Neres esteve à frente do Conjunto Penal de Eunápolis por nove meses e foi a primeira mulher a ocupar este tipo de cargo no estado. No entanto, apesar da representatividade, o que veio à tona após as prisões revela que a unidade estava sob comando do crime organizado.

Alvo de atentado

No dia 4 de agosto, um homem, identificado como Romildo Ramos de Moraes, foi preso por suspeita de participar do atentado. Além dele, outro homem já tinha sido alcançado pela polícia, um dia depois do ataque.

Conforme informou a polícia, o homem preso esteve envolvido na fuga de 16 detentos da unidade prisional em dezembro do ano passado, e tinha relação com o advogado que foi detido pelo mesmo crime, em julho, na cidade de Serrinha.

A polícia diz ainda que o suspeito também dava ordens a comparsas para atirarem contra policiais e familiares.

O homem foi localizado em uma casa, no distrito de Pindorama, em Porto Seguro, na mesma região do estado, durante uma ação para cumprir mandados de busca e apreensão. Ele tinha cinco mandados de prisão em aberto, que foram cumpridos durante a abordagem.

Segundo informou a polícia, outro acusado de homicídio, que não teve detalhes divulgados, também foi encontrado na mesma ação. Os presos passarão por exames de lesões corporais e seguirão para o sistema prisional, onde ficarão à disposição da Justiça.

O ataque

Conforme detalhou a polícia, após o atentado, o crime ocorreu no final da tarde do dia 20 de maio. O motorista passava de carro na Avenida Alcides Lacerda, no bairro Arisvaldo Reis, quando foi surpreendida por um grupo de homens armados e encapuzados, com um armamento de grosso calibre, incluindo fuzis 7,62 mm e 5,56 mm.

O veículo que foi alvo dos suspeitos geralmente era utilizado pelo ex-gestor do presídio. No entanto, apenas o motorista estava no interior do automóvel. Segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), o homem é funcionário da empresa cogestora Reviver.

A vítima, mesmo ferida, conseguiu dirigir por alguns metros até ser socorrida por policiais militares. O homem foi encaminhado ao hospital, passou por cirurgia e ficou internado, sem risco de morte.

Depois do ataque ao carro do motorista do presídio, cerca de 100 policiais das Forças Estaduais e Federais fizeram ações integradas com o objetivo de prender os autores do ataque.

As investigações indicaram que a ação foi coordenada por Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), atualmente ligada ao Comando Vermelho (CV). Ele foi um dos mandantes da fuga ocorrida em dezembro do ano passado, e estava entre o grupo.

Um dos executores do atentado foi identificado como José Rubens Alves de Assis Filho, conhecido como “Rubão”. Ele e a namorada, Letícia Rodrigues, foram presos no dia 21 de maio, na cidade de Itapebi.

No momento da abordagem, ele estava com uma pistola calibre 9mm, dois carregadores e oito munições. O armamento, que pode ter sido foi usado no atentado, foi encaminhado para exame de microcomparação balística com os estojos encontrados no local do crime.

Contradições nos depoimentos

A polícia de Eunápolis informou que durante o interrogatório, José Rubens negou envolvimento direto na tentativa de homicídio, alegou que estava em uma área de mata próxima de onde aconteceu a ação policial e apenas ouviu barulhos de tiros.

Já Letícia Rodrigues confessou que ele participou da emboscada. Ambos foram autuados em flagrante por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

A polícia afirmou ainda que José Rubens já foi preso por roubo qualificado a uma joalheria e é investigado pela ocultação do cadáver de um homem identificado como Lucas Phelipe Costa Lemos, morto em 17 de maio deste ano, e pelo homicídio do motorista por aplicativo Weverton Antônio dos Santos, que aconteceu cinco dias antes.

Em depoimento, segundo a polícia, o homem admitiu ter transportado sacos plásticos usados para acondicionar partes do corpo da vítima, e alegou que agiu a pedido de um outro homem. No entanto, ele não revelou o nome do mandante.

Fonte: g1

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