Enquanto a população aguarda atendimento, a estratégia parece ser encontrar culpados em vez de assumir responsabilidades.
A proximidade do calendário eleitoral tem revelado uma velha prática da política brasileira: quando uma obra importante não é entregue no prazo esperado, a culpa precisa recair sobre alguém. Em Camaçari, a mais nova vítima dessa estratégia parece ser a Câmara Municipal.
Nas últimas semanas, setores ligados ao prefeito Luiz Caetano e à deputada federal Ivoneide Caetano intensificaram a narrativa de que os vereadores seriam os principais responsáveis pelo atraso na abertura da Policlínica Regional. A tese ganhou espaço em blogs, redes sociais e veículos alinhados ao governo.
O problema é que a realidade costuma ser mais complexa do que a propaganda política permite.
A própria gestão municipal divulgou que a obra ainda estava em fase de conclusão física, instalação de equipamentos e estruturação operacional, apesar de apresentar percentual elevado de execução. Reportagens recentes apontam que a unidade ultrapassou 90% e posteriormente 95% de conclusão, mas ainda depende de etapas administrativas e técnicas para entrar em funcionamento.
É verdade que projetos relacionados à gestão da unidade tramitam na Câmara Municipal e fazem parte do processo necessário para sua operação. Também é fato que a proposta ainda não havia sido votada em plenário em determinados momentos da tramitação.
Mas transformar um processo administrativo complexo em uma narrativa simplista de "culpados e inocentes" parece atender mais aos interesses políticos do que à busca por soluções.
A população não quer assistir a uma guerra de versões. O cidadão que aguarda uma consulta especializada, um exame ou um procedimento médico está pouco preocupado com a disputa entre Executivo e Legislativo. O que ele deseja é ver a Policlínica funcionando.
Se a obra é considerada uma das maiores conquistas da atual gestão, os méritos devem ser reconhecidos. Mas, da mesma forma, a responsabilidade pela entrega final também não pode ser terceirizada integralmente quando surgem obstáculos.
Em tempos eleitorais, a comunicação política costuma ser guiada pela busca de narrativas favoráveis. O risco é que, no esforço para preservar imagens e projetos de poder, a discussão sobre saúde pública seja substituída por uma disputa de versões.
No fim das contas, a pergunta que permanece é simples: a prioridade é inaugurar a Policlínica ou encontrar um adversário para responsabilizar?
Porque, para quem está na fila do SUS, o que importa não é quem leva a culpa. É quem entrega o serviço.








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