Segundo o presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta, o setor tem boas expectativas de crescimento
Por Hieros Vasconcelos
O mês de junho nem começou e o comércio baiano já espera por um ritmo acelerado. Com o Dia dos Namorados no dia 12 e, logo depois, os festejos de São João, os lojistas se preparam para um dos períodos mais movimentados do ano. Segundo a Fecomércio-BA, o faturamento do varejo no período junino deve alcançar R$ 2 bilhões, com crescimento estimado de 2% em relação ao ano passado, principalmente nos segmentos diretamente ligados ao período, como vestuário e supermercados. A festa, que é a mais tradicional do Nordeste, movimenta não apenas a economia, mas também o imaginário afetivo dos baianos, com comidas típicas, danças e muita festa.
O Dia dos Namorados, por sua vez, funciona como um “esquenta” para o São João. Além da troca de presentes, que impulsiona o consumo em lojas de moda, perfumes, calçados e eletrônicos, a data também reforça o apelo romântico das festas juninas, onde o clima de afeto e a música andam lado a lado. De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers na Bahia (Abrasce-BA), a expectativa é de um crescimento de 10% nas vendas e de 8% no fluxo de clientes em comparação com o Dia dos Namorados do ano passado.
"A melhora no nível de emprego é um dos fatores que explicam esse otimismo. É a principal causa deste crescimento para está ocasião", diz Edson Piaggio, diretor da entidade.
Nos shoppings, os preparativos já começaram, ainda que tímida. Vitrines decoradas com corações e estampas xadrez se misturam a sanfonas, balões e bandeirolas.
Em alguns centros de compras, a programação vai incluir apresentações de forró, quadrilhas e espaços instagramáveis para atrair casais e famílias. “Ano passado foi bom, mas este ano a gente sente o pessoal mais animado, talvez porque o São João caiu no fim de semana”, comenta Marina Almeida, vendedora de loja no Shopping Lapa.
A procura pelos itens já faz parte da rotina dos clientes. “Todo ano a gente se veste a caráter, faz canjica, milho, bolo de aipim… É uma tradição que vem da minha infância no interior”, diz a aposentada Ana Cristina, enquanto passeava pelo estabelecimento.
De acordo com projeção da Fecomércio BA, os segmentos diretamente ligados ao período devem ter maior busca, não só no segmento vestuário mas também alimentício.
“São foliões em busca de tecidos e roupas típicas para aproveitar as festas. No setor de alimentos, observa-se uma procura intensa por insumos para a preparação de pratos juninos, como canjica, bolo de milho, cuscuz, entre muitos outros. Além disso, há uma demanda por mantimentos para abastecer a casa durante viagens com familiares e amigos, visando às refeições do período”, descreve o presidente do Sistema Comércio BA -Fecomércio, Sesc e Senac-, Kelsor Fernandes, sobre o movimento do período.
A boa notícia é que o preço do milho — base para muitos dos principais pratos da estação — está em queda nos últimos meses no mercado brasileiro.
“Segundo o IBGE, o milho em conserva, utilizado como referência de preço, apresentou recuo de quase 13% na Região Metropolitana de Salvador em um ano até abril. Já o fubá de milho, outro produto com dados disponíveis nacionalmente pelo Instituto, teve queda de 4,37%. Por outro lado, os derivados do leite, como o leite longa vida e o leite condensado, registraram alta média de cerca de 10%, o que pode levar o consumidor a gastar um pouco mais com esses itens este ano”, informa o consultor econômico do Sistema Comércio BA, Guilherme Dietze.
Sindilojas - A visão positiva para o comércio também se reflete no varejo de rua. Segundo o presidente do Sindilojas Bahia, Paulo Motta, o setor tem boas expectativas de crescimento. “Para o Dia dos Namorados, esperamos um aumento acima de 10% nas vendas, com destaque para produtos não duráveis como calçados, bijuterias, perfumes e confecções. Já para o São João, a previsão é de um crescimento entre 6% e 7%”, afirma. Ele ressalta que o mês de junho é o terceiro melhor para o varejo, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães.
Com tradição, emoção e impacto econômico, o São João reafirma seu papel como motor cultural e socioeconômico da Bahia. Junto ao Dia dos Namorados, compõe um ciclo virtuoso para o comércio, que se fortalece não apenas com as vendas, mas com a capacidade de conectar afetos, tradições e oportunidades.







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