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sábado, 3 de maio de 2025

Wagner se alinha a Alcolumbre em busca de solução à anistia

O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, tem se alinhado às articulações conduzidas por Davi Alcolumbre

Foto: Reprodução

Por Henrique Brinco

Enquanto o Congresso Nacional se debruça sobre uma proposta alternativa à polêmica anistia geral dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, tem se alinhado às articulações conduzidas por Davi Alcolumbre (União-AP) para construir uma saída política que reduza tensões entre os Poderes e evite um embate direto com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Wagner integra o grupo político que vê com bons olhos a tentativa de Alcolumbre de esvaziar o projeto que tramita na Câmara com redação ampla — considerada perigosa por permitir inclusive benefícios ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação, segundo aliados, visa punir os articuladores e financiadores da intentona golpista, ao mesmo tempo em que permite penas mais brandas ou alternativas para quem teve participação secundária nos atos.

A articulação, que também conta com o apoio de líderes governistas como Randolfe Rodrigues (AP), e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), busca evitar um desgaste maior com o Legislativo em um momento de fragilidade da base aliada. O entendimento é de que é preferível manter o STF à frente das decisões judiciais, mas que, diante da forte pressão política, uma mediação entre os Poderes pode ser mais estratégica.

Conciliação

Nos bastidores, segundo o jornal O Globo, Wagner atua como figura de conciliação, sinalizando apoio às tratativas desde que fiquem claros os limites do texto: não pode haver margem para que Bolsonaro seja beneficiado ou que haja qualquer sinal de perdão generalizado. O plano é garantir que a eventual proposta preserve a autoridade do STF e da Justiça, evitando interpretações que soem como interferência ou revanchismo.

O Planalto, por sua vez, tem adotado cautela. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reiterou que o governo não participará diretamente das articulações, mas não irá se opor a um eventual entendimento entre o Legislativo e o Judiciário. Já setores jurídicos do governo, como a Advocacia-Geral da União e o grupo Prerrogativas, manifestam forte resistência à ideia de qualquer revisão penal fora da esfera do STF.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) colabora com a construção do novo texto, que deve unificar os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito — o que pode reduzir as penas de condenados de menor periculosidade, sem abrir brechas para os líderes do movimento.

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