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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Prefeitura aciona Justiça para encerrar greve dos agentes de limpeza em Salvador

Gestão municipal pede retomada imediata do serviço e multa de R$ 300 mil por dia em caso de descumprimento de eventual decisão judicial.

Foto: Jefferson Peixoto - Secom

A Prefeitura de Salvador ingressou nesta terça-feira (23) com uma ação na Justiça do Trabalho para pedir a declaração de ilegalidade da greve dos trabalhadores da limpeza urbana, iniciada na segunda (22). O movimento provocou a suspensão da coleta de lixo na capital baiana e levou a gestão municipal a solicitar a retomada imediata dos serviços.

Mas o que motivou a paralisação? O que a prefeitura alega? E o que pode acontecer agora?

Por que os garis entraram em greve?

A paralisação foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública, Asseio, Conservação, Jardinagem e Controle de Pragas da Bahia (Sindilimp-BA) e integra uma mobilização nacional da categoria.

Segundo os trabalhadores, o objetivo é pressionar pela aprovação do chamado "PL dos Garis e Margaridas", projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e prevê a regulamentação e ampliação de direitos para os profissionais da limpeza urbana.

O que aconteceu em Salvador?

Na segunda-feira, os trabalhadores se concentraram no Parque dos Ventos, no bairro da Boca do Rio.

De acordo com a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), as garagens de onde saem os caminhões de coleta amanheceram fechadas, o que impediu a operação do serviço e levou à suspensão da coleta de resíduos em toda a cidade.

 O que a prefeitura pede à Justiça?

Na ação protocolada no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), o município solicita uma liminar para determinar:

 a retomada imediata da coleta e do gerenciamento de resíduos sólidos;

  • a liberação dos acessos ao aterro sanitário e à estação de transbordo de Salvador;
  • a aplicação de multa diária de R$ 300 mil em caso de descumprimento da decisão.

A prefeitura também pede que a greve seja declarada ilegal ao final do processo.

Qual é a justificativa da gestão municipal?

A Procuradoria-Geral do Município argumenta que a coleta e a destinação de resíduos sólidos são serviços essenciais, conforme previsto na Lei Federal nº 7.783, que regulamenta o direito de greve.

Segundo a administração municipal, mesmo durante movimentos paredistas devem ser mantidas atividades indispensáveis para evitar prejuízos à população.

A prefeitura também sustenta que a paralisação tem caráter predominantemente político, já que está relacionada à tramitação de um projeto de lei em Brasília. De acordo com o município, a gestão não tem ingerência sobre o tema discutido no Congresso Nacional.

 Qual é o impacto da paralisação?

Na ação judicial, a prefeitura afirma que a interrupção da coleta afeta diretamente mais de 2 milhões de moradores da capital baiana e pode gerar riscos à saúde pública e à ordem urbana.

O município destaca ainda que a situação ocorre durante os festejos juninos, período em que há aumento da produção de resíduos sólidos em Salvador.

 Houve tentativa de evitar a greve?

Segundo a prefeitura, antes do início da paralisação foram feitas notificações às empresas terceirizadas responsáveis pela coleta e ao sindicato patronal para que adotassem medidas capazes de evitar a interrupção do serviço.

A administração municipal afirma, porém, que não houve iniciativa dessas entidades para solucionar o impasse.

 O que acontece agora?

O pedido da prefeitura será analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região.

Além da declaração de ilegalidade da greve, o município solicitou a realização de uma audiência de conciliação com a participação do Sindilimp-BA, do Sindicato das Empresas Privadas de Resíduos Sólidos da Bahia (Sempres-BA) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Até a publicação desta reportagem, não havia decisão judicial sobre o caso.

Fonte: G1 Bahia 

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