De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações de carne bovina do Brasil atingiram US$ 1,2 bilhão em novembro de 2024, representando um aumento de 29,9% em relação ao ano anterior
Foto: Romildo de Jesus
Por Vitor Silva
Em Salvador, os preços da Cesta Básica aumentaram para os consumidores soteropolitanos, assim como diversos outros itens de consumo apresentaram alta no final do ano. De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), que realizou 2.776 cotações de preços em 94 estabelecimentos comerciais da cidade, a Cesta Básica passou a custar R$ 574,98 em dezembro de 2024. Isso representa um aumento de 1,83%, ou R$ 10,36, em relação ao mês anterior.
Denilson Lima, economista da SEI, destacou que o óleo de soja foi o item da Cesta Básica que mais sofreu aumento em dezembro (16,73%), encerrando um ciclo de seis meses consecutivos de alta. No acumulado de 2024, o preço do óleo de soja teve um crescimento de 47,25%.
Lima explicou que, embora o Brasil tenha oferta suficiente de soja, o aumento de preços está relacionado à variação cambial. Como a soja é uma commodity e seu preço é definido no mercado internacional, as flutuações do dólar impactam diretamente o seu valor. Quando o dólar se valoriza em relação ao real, o preço da soja tende a subir, o que também aumenta os custos de produção e reduz a oferta interna, já que as exportações se tornam mais lucrativas.
O aumento do dólar também afetou o preço do milho, outro produto que é uma commodity. Em dezembro, o preço do flocão de milho subiu 16,11%. Esse aumento foi impulsionado pela queda nos estoques globais de milho, especialmente nos Estados Unidos, que, ao aumentar suas exportações, reduziu as reservas internas do grão.
Lima observou que todos os cortes de carne bovina da Cesta Básica de Salvador registraram aumentos no mês de dezembro (como cruz machado, alcatra e carne de sertão). Esses aumentos foram causados por dois fatores principais: a oferta ainda limitada de carne e a crescente demanda da China por essa proteína.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações de carne bovina do Brasil atingiram US$ 1,2 bilhão em novembro de 2024, representando um aumento de 29,9% em relação ao ano anterior. Esse aumento nas exportações resultou em uma redução na oferta interna e, consequentemente, no aumento dos preços para o consumidor local.
O economista também apontou que a batata inglesa foi o único produto da Cesta Básica que registrou queda significativa de preço, com uma redução de 17,56%. Esse declínio foi impulsionado pela chegada das novas colheitas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Bahia, que são os maiores produtores desse tubérculo no Brasil.
A economista Alana Santana explicou que, entre os fatores que contribuem para o aumento acumulado de 5,69%, estão a escassez de oferta devido a condições climáticas adversas e a desvalorização do real frente a outras moedas, como o dólar. Isso fez com que os produtores brasileiros optassem por exportar seus produtos, já que vendê-los em dólares se tornou mais vantajoso.
Santana ainda destacou que os preços da carne bovina e do frango estão diretamente ligados ao custo das rações, que são feitas a partir de grãos. Ela também afirmou que a grande demanda da China por carne bovina e frango brasileiros é um dos principais fatores que explicam os aumentos recentes desses produtos. A China, com sua enorme população, absorve uma grande parte da produção brasileira, o que impacta a oferta interna.
Em relação ao aumento de preços dos produtos do almoço e do café da manhã dos soteropolitanos, Lima explicou que o aumento de 2,61% no almoço e 2,36% no café da manhã são efeitos de múltiplos fatores. Ela comentou que, apesar de ser comum uma desvalorização da moeda ao longo do tempo, o aumento atual nos preços é substancialmente maior devido a fatores conjunturais, como a taxa de câmbio e eventos climáticos.
A economista afirmou que os impactos desses aumentos nos preços afetam diretamente as famílias, considerando a parte do salário que é destinada ao consumo básico. A grande maioria da população usa seus salários quase integralmente para cobrir suas despesas mensais, e qualquer variação acentuada no preço dos alimentos essenciais é sentida de maneira significativa.







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