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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Porto da Barra vive dia sem oferta de mesas, cadeiras e sombreiros

No início do ano, um vídeo gravado por um turista viralizou nas redes sociais, em que o mesmo reclamava da falta de espaço na areia para estender a sua canga

Foto: Divulgação/Reprodução


Por Livia Veiga

Esta terça-feira (28) foi de protesto de barraqueiros e ausência de mesas, cadeiras e sombreiros na faixa de areia da praia do Porto da Barra. O movimento foi motivado pela ação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), que intensificou a fiscalização, após denúncias de moradores e turistas sobre a falta de espaço nas praias.

Ao longo do dia, quem esteve no local em busca de um lugar ao sol se surpreendeu com o cenário diferente do habitual. “Cheguei aqui 10h30, estava tudo vazio. Vi muita gente do bairro celebrando e muitos turistas perdidos, pois eles já estão acostumados com as cadeiras e mesas”, relatou a estudante de enfermagem potiguar, Vera Maria Sales.

Pela manhã, um grupo de trabalhadores, que inclui barraqueiros, baianas de acarajé e demais ambulantes, se reuniu no local, reivindicando diálogo com o poder público e flexibilização das medidas impostas. Por volta das 14h30, cerca de 30 trabalhadores permaneciam reunidos no entorno do Porto, porém, sem prestar o serviço habitual de locação dos equipamentos.

De acordo com a ambulante Maria Eunice Pereira, que trabalha na praia desde 1979, a quantidade de cadeiras fixada pelo órgão municipal é insuficiente para atender à demanda intensa do verão, especialmente, de turistas que chegam de navio. “Eu acho que eles tinham que fazer uma reunião melhor, para ver o que é mesmo que precisa”, afirmou.

Uma de suas filhas, Eloisa Pereira, revelou que o único desejo da categoria é trabalhar de forma honesta: “minha mãe, sempre naquele isopor, criou cinco filhos, está criando os netos também. E agora, como é que vai fazer?”. A baiana de acarajé, Ana Cristina Suzana, apontou a faixa de areia vazia e relatou reclamações de clientes em decorrência da suspensão do serviço de aluguel de cadeiras e de sombreiros, o que compromete a venda também dos seus produtos.

PARALISAÇÃO

“A quantidade de cadeiras é pouca por causa do verão. Por essa praia passam italianos, argentinos, alemães e franceses. A gente fez essa paralisação para chamar a atenção de que a gente não tem condições de trabalhar com 30 cadeiras, porque é verão. Eles têm que ter um projeto de organização com a gente, não limitar o nosso trabalho”, disse o ambulante Silvio Ubiraci da Silva.

No início do ano, um vídeo gravado por um turista viralizou nas redes sociais, em que o mesmo reclamava da falta de espaço na areia para estender a sua canga. De lá para cá, a tensão entre trabalhadores e poder público tem se intensificado, especialmente em razão da limitação da quantidade de kits por ambulantes: o órgão determina o máximo de 10 sobreiros, 10 mesas e 30 cadeiras por permissionário.

Atordoada ao chegar à praia e não identificar sombreiros disponíveis, a comerciante Maria Evangelista perguntou “como ficaria na praia com esse sol” e buscou informações, sendo advertida sobre a “greve” dos barraqueiros diante das novas regras. “Venho aqui direto e posso dizer que estava um inferno, realmente, aqui você não tinha nem condição de sentar. O cara se sentava dentro da sua barraca. Se for diminuir a quantidade de cadeiras, tudo bem. Se for melhorar”, completou.

Em nota, a Semop esclareceu acerca da intensificação de fiscalização no Porto da Barra após denúncias de moradores e turistas. “As reclamações apontaram excessos na ocupação da faixa de areia por alguns permissionários, resultando em reuniões e reforço das equipes para garantir a organização e o equilíbrio no uso do espaço público”, detalhou.

Ainda conforme o órgão municipal, durante as fiscalizações, foram identificados casos de descumprimento das normas, e os permissionários envolvidos foram devidamente notificados. “A Semop ressalta que a legislação e as novas regras visam assegurar uma convivência harmoniosa entre comerciantes, frequentadores e a comunidade local, promovendo o uso ordenado da orla”, complementa.

Dentre as determinações do poder público, estão: “no contexto da Operação Verão, medidas como a montagem de sombreiros após às 9h, a instalação de kits apenas na chegada dos clientes e a proibição do uso de garrafas de vidro têm contribuído para maior segurança e conforto dos frequentadores”. Para garantir o cumprimento dessas normas, a Semop informou que cinco equipes extras foram deslocadas para intensificar a fiscalização no local.

“A Semop informa ainda que os permissionários têm o prazo de 15 dias para regularizar seus cadastros. Após o Carnaval, uma nova reunião será realizada para reavaliar as medidas implementadas e discutir possíveis ajustes, buscando atender às necessidades de todas as partes envolvidas. A secretaria reforça seu compromisso com o diálogo e destaca que o cumprimento das normas é fundamental para garantir a organização e o bem-estar de todos que utilizam o Porto da Barra”, destacou o órgão, em comunicado à imprensa.

No entanto, barraqueiros informaram que irão retornar à praia nesta quarta-feira (29) com seus equipamentos para alugar e que, caso a situação não seja resolvida, uma nova paralisação pode acontecer, desta vez, em um domingo. 

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