Aliados e adversários veem abatimento, falta de estratégia e descompasso no recuo da fiscalização do PIX; episódio amplia poder de barganha do centrão, que prega reforma ampla no Planalto
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por G1
O governo Lula 3 conseguiu a proeza de colher uma dupla derrota num episódio para o qual nem se apresentou para disputa política com a oposição. A avaliação é corrente nos bastidores entre aliados e adversários que assistem o dia seguinte de uma vitória retumbante de ala estridente da oposição sobre mudanças que nem chegaram a ser implementadas na fiscalização da Receita Federal sobre movimentações do sistema de pagamentos mais usado do país hoje: o PIX.
O g1 ouviu integrantes do governo, da base, da oposição e marqueteiros. O entendimento é o de que o Planalto demonstrou fragilidade, inaptidão e ainda ampliou o poder de fogo e dependência de um centrão que já prega uma reforma ministerial mais ampla do que a que Lula sinaliza intenção em fazer.
"O recuo, da forma como foi feito, demonstrou uma fragilidade do governo como há muito tempo eu não via", resume o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). "O problema, para mim, não é só de comunicação. É o Lula. Ele parece estar de saco cheio, sem apetite para governar. Está blindado. Os problemas chegam na sala dele quando já é muito tarde para decidir", conclui.
Pouparam
Aliados do governo poupam o presidente, mas reconhecem que o episódio causou um bate cabeça como há muito não se via, expondo os principais agentes da Esplanada a uma derrota acachapante diante da ala mais estridente da oposição.
A imensa propagação de fake news é apontada como fator determinante para o saldo final do episódio, mas não só. "Existe um ambiente irreal criado pelas redes, mas o governo mexeu com a base da pirâmide. O pedreiro, a faxineira, os personagens que são de fundamental importância e que agora estão em pânico. Essas pessoas receberam uma 'fake news' da extrema direita sobre o PIX e ficaram desconfiadas. Mas, agora, elas acham que era verdade. Tanto era verdade, que o governo recuou", analisa um especialista em comunicação próximo a ministros de Lula.
"Recuar de um erro pode ser meritório, mas nesse caso faltou mesmo foi coordenação política. No fim, o Lula mandou um recado para o eleitor dele, que hoje está sendo humilhado por ter 'feito o L'. É um erro grosseiro", resume.







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