O favoritismo de Carlos Muniz (PSDB) na disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Salvador era esperado. Apesar de não ter sido eleito na primeira oportunidade, o vereador soube se articular durante o período em que comandou o Legislativo soteropolitano e não deixou margem para outro nome tentar uma disputa justa. Restou ao PSOL, que sempre apresenta uma candidatura ilusória, demarcar posição ao lançar Hamilton Assis.
Muniz “herdou” a presidência da Câmara depois que Geraldo Jr. (MDB) rompeu com a prefeitura de Salvador e foi eleito vice-governador de Jerônimo Rodrigues (PT). À época, o então aliado de Geraldinho foi visto com desconfiança pelos pares e pela gestão municipal, pois não se conhecia exatamente qual seria o posicionamento político dele. Os últimos meses do antigo presidente foram marcados por uma oposição ferrenha ao Executivo, o que tornou a relação um barril de pólvora o qual uma simples faísca poderia fazer explodir. Muniz deu um baile em todos que acreditam que ele apostaria na rusga.
De pouco a pouco, não apenas se aproximou do prefeito Bruno Reis, como construiu uma relação tão sólida que gerou o anúncio público de apoio à reeleição do gestor, contrariando a expectativa do próprio aliado Geraldo Jr, que legou a presidência da Câmara a ele. Ou seja, Muniz, que já era uma águia dos bastidores da articulação do legislativo, mostrou também pragmatismo. A prova disso foi a excepcional votação obtida pelo neotucano.
A chegada dele ao PSDB pode entrar nessa conta da maturidade política do presidente. Mesmo que há algum tempo estivesse acostumado com a montagem de chapas proporcionais – vide o resultado positivo obtido em 2012 com o PTN (que também passou pelas mãos de Bruno Reis) -, Muniz conquistou seis cadeiras em 2024, quando o PSDB já não passava por suas melhores fases. Do baixo clero, o presidente ascendeu e manteve uma musculatura que não era facilmente enxergada nele tempos atrás.
Tal força deve gerar preocupação agora para os dois vereadores que prometeram o voto nele e acabaram por não depositar os sufrágios nas urnas. Muniz esperava ter 41 votos dos 43, mas acabou ficando com apenas 39. Ainda que assegure que não fará caça às bruxas, o tom usado logo após a eleição pode ser um prenúncio que a “forma desleal” pode ter repercussão na relação dele com os pares – pelo menos com dois deles.
De qualquer sorte, a ampla maioria e a boa relação construída com o Executivo devem ser preponderantes para esse novo biênio. E, caso não haja a emergência de outra liderança, não duvidemos da capacidade de Muniz tentar mais dois anos em 2027. Ainda que haja o entendimento da vedação de reeleições numa mesma legislatura, já foi demonstrado que as regras podem mudar conforme os ventos políticos...







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