A secretaria que deveria impulsionar o desenvolvimento urbano e atrair investimentos se transformou no maior gargalo da gestão Caetano. A paralisia técnica e a falta de comando político travam o progresso da cidade.
Quando ainda era oposição, Luiz Caetano dizia que a SEDUR (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente) era a pasta mais estratégica de qualquer governo, a porta de entrada para investimentos, geração de emprego e renda. Hoje, paradoxalmente, é exatamente nessa secretaria que seu governo evidencia sua maior fragilidade.
Essa constatação não se resume à opinião da autora. É corroborada por depoimentos de diversos atores que interagem com a secretaria e dependem diretamente dos serviços e políticas públicas da pasta.
Sob o comando de um secretário sem histórico e currículo que o credencie ao cargo de peso que lhe foi conferido, Rodrigo Nogueira já demonstra sinais claros de não reunir condições técnicas para encarar a missão do tão prometido discurso da campanha do “virar a chave” e fazer de Camaçari uma cidade conectada com o futuro.
A SEDUR jamais contou com uma equipe de alto escalão e cargos comissionados tão despreparada, inexperiente e desconectada da realidade da cidade, do cidadão, da classe política, dos movimentos sociais e do setor empresarial como a que vemos hoje. Há uma verdadeira crise de capacidade técnica e operacional. No bom popular: só pode mandar quem sabe fazer.
A secretaria tem se apoiado em uma burocracia contraproducente como forma de se proteger da incompetência generalizada de sua equipe de comando. Por exemplo, não existe uma agenda de trabalho voltada ao planejamento da cidade, onde novos equipamentos públicos prometidos, obras, empreendimentos e atividades sejam orientados e estimulados a se instalarem. Grandes empresas sinalizaram interesse desde 2024, e permanecem paralisados, com impactos diretos na geração de emprego e na arrecadação municipal. A consequência é clara: Camaçari perde competitividade enquanto municípios vizinhos atraem novos investimentos.
Caminhando para o fim do primeiro ano do governo Caetano, não se vê impactos do trabalho da nova SEDUR na cidade. Com o apelo da BYD e das transformações tecnológicas anunciadas, quais foram os grandes empreendimentos aprovados pela secretaria em 2025? Qual o volume de investimentos e postos de trabalho gerados? Quantos alvarás e licenças ambientais foram concedidos? Qual a perspectiva de instalação de novas atividades industriais, de comércio, de serviços e empreendimentos residenciais? Quais são os indicadores produzidos pelas ações fiscais? Onde está inserida a participação social representada pelos Conselhos da Cidade (CONCIDADE) e de Meio Ambiente (COMAM)? Qual legado de realização a gestão do atual secretário e sua equipe de jovens advogados deixará para o município?
Até o momento, não existe qualquer publicação de decisões da junta de julgamento de processos fiscais de uso do solo e de meio ambiente. Não há transparência, e sobram desconfianças sobre os atos públicos praticados pela gestão. Enquanto isso, logradouros públicos com toda infraestrutura são incorporados a terrenos privados, desaparecendo em plena Guarajuba. Segundo informações que chegam de dentro da SEDUR, existem alvarás com excesso de assinaturas e outros documentos onde faltam assinaturas essenciais à validação dos atos públicos. Alguns documentos, inclusive, parecem ser emitidos sem avaliação crítica e revisão, contendo erros técnicos primários que geram dúvidas e colocam em xeque a credibilidade da pasta.
O resultado é que uma secretaria essencial, que deveria ser a engrenagem de crescimento de Camaçari, se transformou em freio de mão. O discurso de modernização e conectividade com o mercado se choca com a prática de uma gestão incapaz de garantir previsibilidade e segurança para quem deseja investir aqui.
A pergunta que fica é: de que adianta uma Ferrari se o motorista não tem carteira de habilitação para dirigir a máquina, quer dizer, a pasta? Se o prefeito Caetano compreendeu no passado a importância da SEDUR, por que agora se mantém passivo diante da maior vulnerabilidade de seu governo? A cidade espera respostas, investimentos e resultados. E o tempo da experimentação acabou.
Camaçari é o segundo maior PIB da Bahia, abriga um dos maiores polos industriais da América Latina e deveria ser referência em crescimento e modelo de progresso. No entanto, o que se vê é uma cidade estagnada, onde a população sofre com o desemprego, consequência direta da ausência de novos investimentos. Hoje, a dependência dos cargos na prefeitura virou o reflexo mais cruel dessa pobreza de desenvolvimento.
Lorena Railanna é comunicóloga, graduanda em História, analista política e colunista desse portal.







.jpg)
0 comments:
Postar um comentário