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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Faeb celebra 60 anos com legado de inovação do agro baiano

Fundada em 1965, a Faeb consolidou-se como referência nacional na articulação do setor agropecuário, fortalecendo Sindicatos Rurais, promovendo programas de capacitação, assistência técnica e inovação tecnológica

Foto: Divulgação/Internet

Por Hieros Vasconcelos

“Nosso país deixou de ser comprador de alimentos e hoje alimenta mais de um bilhão de pessoas em quase 200 países. O trabalhador que, no início dos anos 1980, gastava 90% do salário para comprar a cesta básica, hoje gasta pouco mais de 42%. Isso demonstra o impacto social e econômico do setor agropecuário”. Com essa reflexão sobre os últimos anos da agricultura brasileira, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, sintetiza o papel transformador do campo, enquanto a entidade completa, em 2025, 60 anos de atuação em defesa dos produtores rurais e do fortalecimento do agro baiano.

Fundada em 1965, a Faeb consolidou-se como referência nacional na articulação do setor agropecuário, fortalecendo Sindicatos Rurais, promovendo programas de capacitação, assistência técnica e inovação tecnológica. Ao longo das últimas décadas, especialmente desde os anos 1980, a entidade acompanhou as mudanças estruturais do setor, apoiando a interiorização de tecnologias, a diversificação produtiva e a formação de novas lideranças rurais.

Para celebrar a trajetória, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realiza hoje, às 10h, uma sessão especial proposta pelo deputado Paulo Câmara. O ato solene no plenário do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães reunirá parlamentares, autoridades estaduais, produtores rurais e representantes de instituições parceiras que contribuem para o crescimento do agro baiano.

Segundo Miranda, os avanços recentes refletem o esforço conjunto de produtores, técnicos e empresários. “Muito pouco, do ponto de vista da infraestrutura e de políticas públicas, contribuiu para essa verdadeira revolução. O campo cresceu com base na ciência, na tecnologia, na obediência às leis e no investimento nas pessoas. O setor agropecuário transformou a vida de muitos brasileiros, e a Faeb esteve sempre presente, representando os produtores e defendendo a legalidade”, afirmou.

O presidente também destacou desafios atuais do setor. Entre eles estão a adaptação às mudanças climáticas, o aumento do custo de insumos, gargalos logísticos e a insegurança jurídica no campo. “O setor agropecuário foi um dos que mais rapidamente se adaptou às mudanças climáticas, incorporando tecnologia, agricultura de precisão e mecanização para otimizar a produção. Por outro lado, as questões econômicas, como gastos públicos elevados e barreiras comerciais internacionais, aumentam o custo de produção e, em alguns casos, geram endividamento”, explicou Miranda.

Outro ponto crítico é a infraestrutura. O presidente observa que a falta de portos adequados, estradas em péssimo estado e ferrovias sucateadas dificulta o escoamento da produção e encarece insumos. A baixa capacidade energética em algumas regiões também compromete o desenvolvimento da agroindustrialização. “Esses desafios exigem que o setor se articule com parceiros públicos e privados para buscar soluções que conciliem produtividade, preservação ambiental e inclusão produtiva”, disse.

A sucessão no campo é outro tema central. Para atrair os jovens à atividade agrícola, é necessário garantir sustentabilidade, mecanização e retorno financeiro. Nesse sentido, o Sistema Faeb/Senar investe na formação de aproximadamente 150 mil pessoas por ano, promovendo cursos para jovens, mulheres e crianças, desde o ensino fundamental, com programas como o Despertar, que aproxima os mais novos da sustentabilidade e da vida no campo. Além disso, centros de zootecnia, fruticultura e agroindustrialização espalhados pelo estado oferecem formação técnica e capacitação para produtores, fortalecendo a continuidade das atividades rurais.

A proteção ambiental também é uma prioridade do setor. Miranda ressalta que práticas sustentáveis, como agricultura de precisão, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta, têm sido adotadas para aumentar a produtividade e abrir mercados internacionais. “O desafio da sustentabilidade não é responsabilidade só do setor agropecuário. Todos podemos contribuir ou agravar as mudanças climáticas. Mas o agro baiano faz sua parte, protegendo florestas nativas e contribuindo para o equilíbrio ambiental”, afirmou.

O presidente ainda destaca a importância das associações e cooperativas para viabilizar a produção de pequenos agricultores, facilitando crédito, assistência técnica e vendas coletivas. Segundo ele, a burocracia no acesso ao financiamento público tem crescido, dificultando o trabalho de pequenos produtores, mas o apoio de entidades como a Faeb e o Senar mantém famílias no campo e garante a continuidade das atividades rurais.

Apesar dos desafios, Miranda vê oportunidades de crescimento. A Bahia apresenta um potencial econômico extraordinário, com biomas diversos e regiões que se transformaram em verdadeiros polos produtivos. O Baixio de Irecê, a Chapada Diamantina e o norte do estado destacam-se na produção de grãos, frutas e vinícolas. “Temos três ou quatro vetores de crescimento e desenvolvimento da agropecuária para os próximos anos, e a Faeb seguirá apoiando os produtores para que o setor continue sendo um pilar da economia baiana e nacional”, concluiu. 

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