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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Comércio de Salvador começa a se preparar para o Natal

Apesar do otimismo, a projeção é tratada com cautela pelo setor

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

Por Hieros Vasconcelos

Há menos de dois meses para o Natal, o comércio de Salvador começa a se preparar para o período mais aguardado e lucrativo do ano. Ainda que timidamente, vitrines de ruas e shoppings já exibem os primeiros sinais da temporada natalina — árvores iluminadas, guirlandas, papais-noéis e enfeites que se misturam às decorações de Halloween, marcando a transição para a época mais festiva do calendário.

O cenário, que enche as ruas de brilho e movimento, também aquece a economia e o mercado de trabalho. A expectativa para este ano, segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Mota, é de abertura de mais de 10 mil vagas temporárias até o fim de dezembro, com previsão de crescimento de 10% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. O setor também aposta na Black Friday, que antecede o Natal, para impulsionar ainda mais os números.

Apesar do otimismo, a projeção é tratada com cautela pelo setor. De acordo com Mota, fatores como a alta da taxa Selic, que encarece o crédito ao consumidor, e a concorrência crescente do e-commerce exigem prudência dos lojistas. “A alta taxa Selic, sem nenhuma expectativa de redução, influencia diretamente nas vendas a crédito. Os juros altos têm deixado as pessoas mais endividadas, e isso afeta, por exemplo, o desempenho do segmento de eletrodomésticos”, afirmou.

O ticket médio esperado para este Natal é de cerca de R$ 250 por compra, valor semelhante ao do ano passado. Entre os produtos mais procurados estão brinquedos, roupas, perfumes, cosméticos e acessórios de beleza — itens que mantêm boa saída mesmo em cenários econômicos adversos.

Para o dirigente, é essencial que o comércio físico se mantenha competitivo e busque um equilíbrio com o ambiente digital. “As lojas físicas precisam ser bem observadas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o atendimento presencial e as vendas on-line. Nossa expectativa é de cautela, porque o país ainda vive um cenário confuso, com Selic elevada e pouca previsibilidade. O e-commerce cresce, e isso exige planejamento e adaptação”, destacou.

Mota também defende que os lojistas atuem com prudência na formação de estoque e na contratação temporária de trabalhadores, evitando exceder gastos e gerar passivos após o período natalino. “A saída é trabalhar com esperança, mas com prudência na aquisição de mercadorias e manutenção estratégica da mão de obra temporária, para não criar passivos trabalhistas pós-Natal”, orienta.

Ele acrescenta que o setor ainda enfrenta entraves estruturais, como a carga tributária considerada excessiva. “A carga tributária continua muito agressiva. O Senado, a Câmara e o próprio governo não têm uma definição para desonerar atividades produtivas e gerar mais emprego e renda. Isso tudo traz cautela para quem empreende”, afirmou o presidente do Sindilojas.

Nas ruas, população começa a procurar inicialmente pelos ennfeites natalinos

Enquanto as análises econômicas seguem, a atmosfera natalina já começa a tomar conta das ruas. No meio da correria diária, as vitrines ganham cores e brilhos típicos da data, chamando a atenção de quem passa. “Parei para dar uma olhadinha nos enfeites, mas só mais tarde vou pensar nos presentes. Por enquanto, o mais em conta antes do décimo terceiro é cuidar da decoração de casa”, contou a aposentada Marluce Anunciação, 68 anos, enquanto fazia compras na Avenida Sete.

Em lojas populares do centro da cidade, como a Comesti & Co, no Relógio de São Pedro, é possível encontrar botas de Papai Noel para porta a R$ 19, cestinhas a R$ 10, guirlandas a R$ 42, kits com cinco bolas por R$ 15, enfeites natalinos por R$ 8,50, pesos de porta de Papai Noel por R$ 49,90, faixas de “Feliz Natal” a R$ 20 e árvores de 130 cm por R$ 30, de 150 cm por R$ 55, e as menores, de 90 cm, a partir de R$ 25.

Nas Lojas Americanas, as árvores em miniatura variam entre R$ 9,99 e R$ 19,99, o trenzinho de madeira custa R$ 24,99, a árvore de 1,80 m sai por R$ 149,99, a guirlanda por R$ 59,99 e as toalhas de mesa natalinas, por R$ 39,99. Já na Narciso Enxovais, as árvores de 1,50 m custam entre R$ 139,99 e R$ 159,99, podendo ser parceladas em três vezes, e as guirlandas chegam a R$ 89, com copos e canecas temáticos a R$ 14,99.

Feriados - Até o final do ano, três feriados antecedem o Natal — 2, 15 e 20 de novembro —, e a categoria dos lojistas alerta para o cumprimento dos direitos trabalhistas. “Esses dias não permitem o uso do trabalhador, conforme a convenção coletiva firmada entre o Fundo de Lojas e o sindicato dos comerciários. Mas nada impede que pequenas empresas familiares funcionem com seus próprios donos e parentes. As grandes redes, por sua vez, terão mais dificuldade em abrir. Já a partir do dia 8 de dezembro, o comércio poderá funcionar normalmente, mesmo em feriado, desde que pague pelo trabalho prestado”, explica Mota.

2024 - No Natal de 2024 o varejo brasileiro projetou movimentar cerca de R$ 69,75 bilhões, um avanço real de apenas 1,3% em relação a 2023, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Nas regiões do Nordeste, por exemplo, a estimativa apontava para movimentação de aproximadamente R$ 6,23 bilhões nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, com crescimento modesto de 3,6% para a Bahia. Houve também indicadores de retração em momentos pontuais, como a semana do Natal no comércio físico que registrou queda de 3,9%. 

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