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segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Bahia descarta casos de intoxicação por metanol e reforça vigilância

A medida, que ocorre em meio ao alerta nacional provocado por mortes associadas ao consumo de bebidas contaminadas com metanol, tem como objetivo garantir resposta rápida, atendimento clínico adequado e fiscalização rigorosa

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

Por Hieros Vasconcelos

A Bahia descartou os dois casos suspeitos de intoxicação por metanol registrados no estado e instalou uma sala de situação permanente para monitorar e prevenir novas ocorrências de bebidas adulteradas. As informações foram anunciadas pela secretária da Saúde, Roberta Santana, durante reunião emergencial realizada na sede da Sesab, no CAB, na manhã de ontem, com a presença de representantes da Segurança Pública, Justiça, Ministério da Agricultura, Procon-BA e órgãos de vigilância sanitária.

A medida, que ocorre em meio ao alerta nacional provocado por mortes associadas ao consumo de bebidas contaminadas com metanol, tem como objetivo garantir resposta rápida, atendimento clínico adequado e fiscalização rigorosa em todo o território baiano. Durante o encontro, foram definidos protocolos unificados de vigilância e anunciado o reforço do estoque de antídotos, com a chegada de 90 ampolas de etanol farmacêutico enviadas pelo Ministério da Saúde ao estado.

Os dois episódios que acenderam o sinal de alerta na Bahia foram esclarecidos após análises laboratoriais e perícias do Departamento de Polícia Técnica (DPT). O primeiro envolvia um óbito em Feira de Santana, mas o laudo pericial descartou a presença de metanol. O segundo, em Salvador, referia-se a uma mulher de 23 anos atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), cujo exame também apresentou resultado negativo.

De acordo com a Sesab, a investigação confirmou que as bebidas consumidas eram de procedência regular, e a paciente apresentou melhora clínica significativa, sem sinais de acidose metabólica — um dos principais indicativos de intoxicação por metanol.

A reunião contou com a participação do secretário da Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, do superintendente de Agricultura e Pecuária do Ministério da Agricultura (MAPA), Fábio Rodrigues, e de representantes do DPT, Polícia Civil, Procon-BA, Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems-BA), Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-BA) e Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-BA). O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, participou virtualmente.

Durante o encontro, foram definidos novos protocolos e medidas preventivas, com foco na comunicação entre hospitais, laboratórios e órgãos de fiscalização, para que eventuais casos suspeitos sejam detectados e tratados de forma imediata.

“Estamos atuando de forma articulada em três eixos principais: o monitoramento e a investigação dos casos, o manejo clínico dos pacientes e a fiscalização efetiva da vigilância, em parceria com a Polícia Civil e com a segurança pública do nosso estado”, destacou Roberta Santana, lembrando que a mobilização foi determinada pelo governador Jerônimo Rodrigues.

Antídoto pode exigir até 30 ampolas por tratamento

Como parte da estratégia de preparação e resposta, o Ministério da Saúde enviou à Bahia 90 ampolas de etanol farmacêutico, armazenadas no almoxarifado central da Sesab, em Salvador. O produto é utilizado como antídoto em casos confirmados de intoxicação por metanol e reforça o estoque preventivo do estado.

Cada tratamento pode exigir até 30 ampolas, o que torna o envio um recurso estratégico diante da gravidade dos casos clínicos. Em situações severas, além da administração do antídoto, os pacientes podem precisar de hemodiálise para acelerar a eliminação da substância do organismo.

“A chegada do antídoto tem caráter preventivo e demonstra a capacidade de organização do nosso sistema estadual de saúde. A Bahia está preparada para agir com rapidez e segurança, articulando diferentes órgãos e garantindo proteção à população”, ressaltou Roberta Santana.

No campo da fiscalização, o secretário da Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, informou que o Procon-BA intensificou operações conjuntas com a Decon, o Ministério Público e as associações de bares e supermercados para identificar e apreender bebidas adulteradas.

“Estamos ampliando investigações e campanhas de orientação junto aos consumidores e estabelecimentos. A participação popular é essencial — tanto evitando produtos de origem duvidosa quanto denunciando locais de comercialização irregular”, afirmou.

Ele reforçou que a venda de bebidas falsificadas representa um crime contra a saúde pública e o consumidor, podendo causar cegueira, falência múltipla de órgãos e morte.

O superintendente do MAPA, Fábio Rodrigues, chamou atenção para a regularização da produção artesanal, lembrando que a informalidade amplia o risco de contaminação. “Produção artesanal não significa comercializar sem registro. A legislação exige que todo produtor tenha registro no Ministério da Agricultura para garantir rastreabilidade e segurança do consumo”, explicou.

Protocolo clínico e rede hospitalar mobilizada

A Sesab segue um fluxograma rigoroso de atendimento para possíveis casos de intoxicação, elaborado em parceria com o Ciatox-BA e o Cievs. O protocolo determina coleta laboratorial específica, acionamento imediato dos centros de toxicologia e início precoce do tratamento com antídotos, além da possibilidade de hemodiálise em casos graves.

As unidades hospitalares também receberam orientações sobre suporte clínico intensivo, monitoramento neurológico e oftalmológico, e a importância da comunicação direta com a Central Estadual de Regulação (CER). O documento foi distribuído a hospitais públicos, filantrópicos e privados, garantindo uma resposta coordenada em todo o estado.

Cenário - O alerta segue em todo o país após a confirmação de mortes por consumo de bebidas adulteradas em outros estados, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, onde as polícias civis investigam redes clandestinas de produção e distribuição de bebidas contaminadas com metanol — substância altamente tóxica e de uso industrial.

Na Bahia, até o momento, não há registros confirmados de intoxicação por metanol, mas o governo mantém vigilância ativa e ações conjuntas com a Polícia Civil, o Ministério da Agricultura e o Ministério da Saúde.

“Trata-se de uma questão de saúde pública e segurança alimentar. Nosso papel é garantir que a população possa consumir produtos com segurança e que qualquer suspeita seja investigada com rigor técnico e transparência”, concluiu Roberta Santana.

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